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Adolescência ou problema emocional? psicóloga Ana Milfont explica como diferenciar mudanças normais de sinais de alerta

Adolescência ou problema emocional? psicóloga Ana Milfont explica como diferenciar mudanças normais de sinais de alerta
Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Marcada por intensas mudanças físicas, biológicas, psicológicas e sociais, a adolescência — período compreendido entre os 12 e os 18 anos — representa a transição entre a infância e a vida adulta. Diante de tantas transformações, é comum que pais e responsáveis tenham dificuldade para diferenciar comportamentos típicos dessa fase de sinais que podem indicar um problema emocional.

Oscilações de humor, maior necessidade de privacidade, preocupação com a aparência, busca por identidade e propósito, além de momentos de isolamento, fazem parte do processo de desenvolvimento. Nessa etapa da vida, emoções como alegria, tristeza e irritação podem surgir de forma intensa e mudar rapidamente, o que costuma gerar dúvidas e insegurança nas famílias.

Segundo a psicóloga Ana Milfont, o principal ponto de atenção está na intensidade, frequência e na duração dessas mudanças.

Os sintomas que podem indicar sofrimento emocional mais significativo costumam persistir por longos períodos, sem melhora aparente, e provocar impactos na rotina e na qualidade de vida do adolescente.

Tristeza profunda e persistente, irritabilidade que se prolonga por meses, alterações importantes no apetite, prática de autolesões, falas negativas sobre si mesmo, baixa autoestima, sensação de não pertencimento, afastamento do convívio social — tanto da família quanto dos amigos —, além da perda de interesse pela escola, pelos projetos de vida e pelo futuro, estão entre os sinais que merecem atenção.

“O que diferencia de fato, é a intensidade e a durabilidade desses sintomas”, pontua Ana Milfont.

Como os pais devem agir

A psicóloga afirma que, diante desses sinais, a maneira como os pais se aproximam do adolescente pode ser tão importante quanto o conteúdo da conversa.

“Os pais devem saber escolher os momentos certos de conversar, observar antes de interpretar e não forçar o diálogo. É sugerido falar sobre o que tem observado de forma calma, respeitando o tempo do filho e validando suas emoções”, diz Ana Milfont.

Ela ressalta que não existe um manual para lidar com adolescentes, já que cada jovem possui sua própria personalidade, vivências e forma de enxergar o mundo. Por isso, respeitar a individualidade e o momento de cada um é fundamental para fortalecer a relação de confiança.

“Uma das coisas que o adolescente busca é espaço, portanto é importante respeitar isso. Praticar a escuta ativa é um bom começo para auxiliar os filhos nessa fase. Às vezes o adolescente quer apenas ser ouvido, não corrigido. Não adianta forçar diálogo, basta mostrar disponibilidade.”

Mais do que encontrar as palavras certas, estar presente nos momentos difíceis demonstra acolhimento, cuidado e interesse genuíno. Esse apoio pode fazer com que o adolescente se sinta seguro para compartilhar suas angústias, dúvidas e frustrações, favorecendo a construção de um vínculo de confiança com a família e facilitando a busca por ajuda quando necessário.

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