O Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi, localizado em Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe, projeta alcançar R$ 250 milhões em Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) em 2026. A estimativa da Federação das Associações do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi (FAPIJA) considera o avanço de culturas como soja, banana e pitaia, além dos investimentos em tecnologia e produtividade.
A projeção foi apresentada durante a ExpoAgro Vale do Jaguaribe, realizada entre 14 e 16 de outubro. Segundo Luiz Felipe, gerente executivo da FAPIJA, a soja é um dos destaques deste ano, impulsionada pela adoção de uma variedade mais produtiva. A federação também atua no fornecimento de sementes para o plantio em outros estados, ampliando a participação da região na cadeia produtiva do grão.
A fruticultura continua tendo peso importante na economia do perímetro. Dados de 2025 mostram que as culturas perenes, como banana e outras frutas, somaram 40,1 milhões de quilos e movimentaram R$ 96,6 milhões. Já as culturas temporárias, que incluem grãos e outras lavouras de ciclo mais curto, alcançaram 102,1 milhões de quilos, com valor de R$ 53,3 milhões.
A diversificação produtiva também abre espaço para culturas como a pitaia, que vem ganhando mercado e já integra a produção regional. A combinação de frutas e grãos ajuda a distribuir as atividades agrícolas ao longo do ano e amplia as possibilidades comerciais para os produtores.
O desempenho, porém, depende diretamente da disponibilidade de água. A irrigação do Jaguaribe-Apodi está ligada às liberações do Açude Castanhão pelo rio Jaguaribe. A possibilidade de um El Niño afetar as chuvas e a recarga dos reservatórios acende um alerta para a próxima quadra chuvosa.
Segundo a FAPIJA, caso o Castanhão alcance entre 20% e 21% de sua capacidade, uma eventual decisão dos comitês de bacia poderá reduzir a vazão disponibilizada ao perímetro em 2027. Uma restrição desse tipo pode exigir a diminuição das áreas cultivadas, afetando o volume de produção e a renda dos agricultores.
O Ceará conta com 14 perímetros irrigados vinculados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), que somam 52,9 mil hectares irrigáveis. Nesse cenário, o Jaguaribe-Apodi evidencia tanto o potencial econômico da agricultura irrigada quanto a importância do planejamento hídrico para manter a produção e sustentar o crescimento da agropecuária cearense.




















