A construção de marcas relevantes na era digital exige mais do que conquistar a atenção do consumidor. Em um cenário de maior acesso à informação, concorrência ampliada e mudanças no comportamento de compra, as empresas precisam transformar dados em decisões estratégicas e garantir que a experiência entregue corresponda ao que a marca comunica. Essa é uma das perspectivas de Ana Hilda Randal, executiva responsável pelas áreas de Marketing, E-commerce, CRM e Customer Experience da Zenir.
Com mais de 20 anos de experiência em branding, growth e dados, Ana Hilda participa da próxima edição do Mulheres em Conexão Future, que acontece na terça-feira (20), em Fortaleza, fechado para convidadas. Com o tema “O Valor da Relevância na Era Digital”, o encontro propõe uma discussão sobre as transformações que impactam as empresas, a relação com os consumidores e as estratégias de negócio.
Ao longo de sua trajetória profissional, a executiva acompanhou mudanças significativas na maneira como as empresas planejam campanhas, mensuram resultados e constroem relacionamentos com seus públicos. Se antes o retorno de uma ação dependia de indicadores mais limitados, o avanço das ferramentas digitais ampliou a capacidade de analisar resultados e ajustar estratégias.
“Saímos de um marketing muito mais baseado em percepção e experiência para uma atuação cada vez mais orientada por dados, em que conseguimos testar hipóteses, medir resultados, otimizar investimentos e tomar decisões com maior assertividade”, afirma.
Confiança vai além da comunicação
A transformação digital também mudou o comportamento dos consumidores. Com acesso facilitado a informações, avaliações, comparações de preços e experiências compartilhadas por outros clientes, o público passou a contar com mais recursos para avaliar marcas e produtos antes de tomar uma decisão de compra.
Nesse contexto, conquistar a atenção se tornou apenas uma parte do desafio. Para Ana Hilda, a confiança depende da coerência entre o discurso das empresas e a experiência que elas efetivamente proporcionam.
“A tecnologia ampliou nossa capacidade de conhecer o consumidor, personalizar a comunicação e medir resultados, mas a confiança continua sendo construída na experiência, na transparência e na capacidade de entregar valor de forma consistente”, destaca.
A análise reforça a importância de alinhar posicionamento e entrega. Mais do que comunicar atributos ou benefícios, as marcas precisam sustentar suas promessas em cada ponto de contato com o consumidor, da pesquisa inicial ao atendimento e ao relacionamento após a compra.
Inteligência artificial e decisões estratégicas
O avanço da inteligência artificial ampliou as possibilidades de análise do comportamento do consumidor e de identificação de oportunidades de negócio. Para a executiva, entretanto, o diferencial competitivo não está simplesmente no volume de informações disponíveis, mas na capacidade de utilizá-las de maneira estratégica.
“O grande desafio hoje não é ter acesso a dados ou dashboards em tempo real, mas identificar quais informações são realmente relevantes para o negócio e como transformá-las em decisões que impactem os resultados”, avalia.
A inteligência artificial permite cruzar informações, identificar padrões, compreender comportamentos e antecipar tendências. Ainda assim, Ana Hilda ressalta que os recursos tecnológicos precisam estar associados ao conhecimento de quem acompanha a operação e compreende as particularidades do negócio.
“Acredito muito na combinação entre a capacidade analítica da IA e o conhecimento de quem vivencia a operação, compreende o comportamento do consumidor e conhece o histórico do negócio”, afirma.
Essa integração entre tecnologia e conhecimento humano, segundo a executiva, contribui para contextualizar informações, validar hipóteses e identificar oportunidades com maior precisão. O objetivo é evitar que a análise de dados se limite à produção de indicadores, transformando as informações em ações concretas.
Dados que se convertem em experiência
Na relação entre empresas e consumidores, a relevância dos dados está diretamente ligada à sua aplicação prática. A partir da compreensão das necessidades e dos hábitos do público, as organizações podem identificar obstáculos na jornada de compra, personalizar experiências e aprimorar o relacionamento com suas marcas.
Para Ana Hilda, é nesse processo que a análise de informações passa a gerar valor para o negócio e para o cliente. “Mais do que conhecer o consumidor, precisamos transformar esse conhecimento em ações que melhorem sua experiência, fortaleçam o relacionamento com a marca e gerem resultados para o negócio”, ressalta.
A discussão proposta pelo Mulheres em Conexão Future se insere nesse cenário de transformação, no qual tecnologia, dados e experiência do consumidor assumem papéis estratégicos na construção de marcas. Para as empresas, o desafio está em utilizar os recursos digitais não apenas para acompanhar as mudanças, mas para compreender melhor seus públicos e entregar valor de forma consistente.




















