No artigo para refletir deste fim de semana, Totonho Laprovitera faz uma análise sobre o turismo cultural e mostra como a identidade, os costumes e o patrimônio podem ir muito além de atrair visitantes: são também caminhos para valorizar a cidade e quem vive nela.
Turismo é viajar, conhecer lugares e viver experiências. A cultura dá sentido a esse encontro, transforma ideias e valores e se torna força estratégica para o desenvolvimento sustentável e a integração da economia.
Durante o Renascimento, nos séculos XIV a XVI, artistas e pensadores, muitas vezes amparados por mecenas, renovaram valores e ideias, deixando marcas profundas na cultura ocidental. Itália, França e Espanha souberam preservar e valorizar essa riqueza e hoje colhem os frutos, tendo o Turismo Cultural como força de desenvolvimento econômico.
Em Fortaleza, a diversidade cultural é forte aliada do turismo. Tradições, costumes, festas, sabores, música, arquitetura e modos de viver compõem um patrimônio capaz de atrair visitantes e aproximá-los de nossa identidade. A união entre turismo e cultura pede políticas públicas inclusivas, investimentos em sítios culturais e preservação do patrimônio material e imaterial, com sustentabilidade e responsabilidade social.
Fazer turismo no Ceará é conhecer praias e paisagens deslumbrantes. Mas há algo capaz de conquistar o visitante para além da paisagem: o calor humano do seu povo bem-humorado. Com sorriso escancarado e aquele jeitinho acolhedor, cada conversa, cada gesto, revela um pouco da alma cearense.
Uma ideia para Fortaleza seria criar programas para nossa gente conhecer a própria cidade. Tem menino na periferia nunca viu o mar e gente de bairro nobre chamando galinha de “Knorr”. Entre um e outro, há uma cidade inteira a descobrir – e um jeito divertido de nos reconhecermos como donos do mesmo lugar.
No fim das contas, cidade é gente. São as pessoas, com suas histórias, seus costumes e suas contradições, responsáveis por dar vida ao lugar onde vivem.
Pois é. Nossa “loira desposada do sol” é invocada! Com seus encantos poéticos tão versados, Fortaleza tem tudo para se firmar entre os destinos turísticos mais procurados do Brasil. Em cada esquina, guarda em silêncio um pedacinho de nossa deslembrada história. Ah, acudamos à nossa memória!
Para concluir, vale olhar para o “Percent for Art”, de Nova Iorque, programa destina 1% do orçamento de obras públicas à arte. Taí um bom exemplo!
Investir em cultura não é luxo nem adorno. É reconhecer sua força na formação das pessoas, na construção das cidades e no desenvolvimento da sociedade. Como bem lembrou Simone de Beauvoir: “É preciso erguer o povo à altura da cultura e não rebaixar a cultura ao nível do povo”.





















