Em mais um artigo para o Conexão 085, Amanda Venâncio aborda os desafios que a reforma tributária já impõe às empresas brasileiras. Embora a transição completa aconteça até 2033, o momento exige atenção dos empresários, que precisam tomar decisões estratégicas em meio a um cenário de mudanças graduais e adaptação constante.
Quando o empresário escuta que a reforma tributária só estará totalmente implementada em 2033, a reação pode ser ou relaxada demais — achando que ainda tem muito tempo — ou de travar as decisões, esperando um cenário mais claro para agir. Mas nenhuma dessas duas reações ajudam.
Entre 2026 e 2033, o Brasil viverá um período em que dois sistemas tributários vão coexistir. O antigo vai sendo reduzido aos poucos, enquanto o novo ganha espaço gradualmente. Isso cria um ambiente de mudança contínua, e não um ponto de virada único. Em outras palavras, não haverá um “momento certo” em que tudo ficará claro. A clareza vem de quem se antecipa, não de quem espera.
O erro mais comum nesse cenário é colocar decisões importantes em pausa. Investimentos, expansão, revisão de modelo de negócio ou até mudanças operacionais acabam sendo adiadas sob o argumento de “vamos ver como fica a reforma”. O problema é que o mercado não espera. E, muitas vezes, quem espera perde timing.
Planejar nesse contexto não significa tentar prever exatamente como será o cenário em 2033. Significa trabalhar com cenários possíveis e tomar decisões que façam sentido em mais de uma realidade. Empresas que desenvolvem essa capacidade ficam mais resilientes e mais rápidas na adaptação.
Outro ponto importante é entender que a transição não impacta todos os setores da mesma forma, nem no mesmo ritmo. Alguns sentirão efeitos mais cedo, outros mais tarde. Por isso, acompanhar a própria cadeia — fornecedores, clientes, concorrentes — passa a ser tão importante quanto acompanhar a legislação.
Isso vale especialmente para temas como precificação, estrutura de custos, contratos e planejamento financeiro. Pequenos ajustes feitos ao longo do tempo tendem a ser mais eficientes e menos traumáticos do que grandes correções feitas às pressas.
Crescer durante a transição é totalmente possível. Mas exige organização, acompanhamento e, principalmente, clareza de que a reforma tributária não é um evento futuro, é um processo em andamento. E empresas que entendem isso não travam. Elas se ajustam, Testam e Evoluem.
Na próxima coluna, vamos falar sobre quem já está se preparando e por que algumas empresas tendem a sair na frente nesse novo cenário. Porque, como em toda mudança, há quem espere e há quem aproveite.
A reforma tributária já começou — e entender agora faz toda a diferença.
Para análises práticas e conteúdo direto ao ponto: @amanda.venancio | @secrangroup






















