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Telas e tecnologia embarcada ganham espaço e mudam a percepção de valor dos carros

Telas e tecnologia embarcada ganham espaço e mudam a percepção de valor dos carros
Foto: Morena Lima / Conexão085
Foto: Morena Lima / Conexão085

Telas maiores, painéis digitais e sistemas de conectividade deixaram de aparecer apenas em versões mais sofisticadas e passaram a fazer parte da configuração de uma parcela cada vez maior dos veículos vendidos no Brasil. Esse movimento também está mudando a forma como o consumidor avalia o valor de um carro.

Segundo levantamento da Bright Consulting, que analisou as vendas por versão no mercado brasileiro ao longo dos últimos dez anos, mais de 85% dos veículos vendidos em 2026 já contam com tela central multimídia e uma proporção semelhante possui painel de instrumentos digital. O avanço também aparece no tamanho das telas: 52% das vendas já correspondem a veículos com displays centrais acima de 9 polegadas, antes essa quantidade era menos de 4%.

As telas maiores, por sua vez, deixaram de ser uma raridade. De acordo com a Bright, displays acima de 13 polegadas eram praticamente inexistentes no mercado brasileiro há quatro anos e atualmente representam cerca de 7% das vendas. O movimento acompanha a expansão de sistemas que concentram funções de entretenimento, navegação, climatização e configurações do próprio veículo em uma única interface.

Um dos fatores que ajudam a explicar essa transformação é o avanço das marcas chinesas. Embora elas representem cerca de um quarto dos carros vendidos no Brasil, a participação é maior quando o recorte considera veículos com telas de maiores dimensões. As chinesas concentram 68% dos veículos comercializados com Display System acima de 12 polegadas e 53% daqueles equipados com Cluster Digital acima de 10 polegadas.

O resultado é uma elevação do padrão tecnológico encontrado nos lançamentos. A presença de uma central multimídia deixou de ser, por si só, um elemento capaz de diferenciar um modelo. A disputa passa também pelo tamanho e resolução das telas, velocidade do sistema, integração com smartphones, quantidade de funções disponíveis e pela capacidade de atualização dos recursos digitais.

A eletrificação reforça ainda mais essa tendência. Em 2026, praticamente 100% dos veículos elétricos a bateria (BEVs) e híbridos plug-in (PHEVs) vendidos já oferecem telas centrais acima de 10 polegadas, enquanto a proporção entre veículos exclusivamente a combustão é de 36%. Nos painéis de instrumentos digitais, a diferença também é significativa: praticamente todos os eletrificados já utilizam esse tipo de solução.

A relação entre eletrificação e tecnologia embarcada, portanto, vai além da substituição de carros com motor a combustão por um conjunto elétrico ou híbrido. A chegada desses modelos também acelera mudanças na arquitetura interna dos veículos e na maneira como motorista e passageiros interagem com o automóvel.

Nesse cenário, a cabine passa a ser uma parte importante da experiência de produto. Desempenho, potência e acabamento continuam relevantes, mas conectividade, interface e tecnologia embarcada ganham espaço na composição do valor percebido dos carros. A tendência indica que, nos próximos lançamentos, a competição entre as montadoras deverá envolver não apenas o que existe sob o capô, mas também o que acontece dentro da cabine.

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