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Setor industrial se expande com atração de grandes empreendimentos no Ceará

Setor industrial se expande com atração de grandes empreendimentos no Ceará
Foto: Hiane Braum / Rosane Gurgel / Thiago Gaspar
Foto: Hiane Braum / Rosane Gurgel / Thiago Gaspar

O Ceará vivencia um momento estratégico em sua matriz econômica. A atração de investimentos e o fortalecimento do ambiente de negócios têm transformado o território cearense em uma das principais plataformas industriais do Nordeste e do Brasil.

Os resultados são vistos nos indicadores. Em 2024, o PIB do Ceará cresceu 6,49%, o melhor resultado desde 2010, enquanto a indústria cearense avançou 10,65%, desempenho superior ao crescimento industrial nacional no mesmo período. Já em 2025, o PIB estadual cresceu 2,87%, acima do resultado brasileiro, com a indústria registrando alta de 1,99%, também superior à média nacional de 1,4%. Para 2026, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) projeta crescimento de 2,89% para a economia cearense, acima da previsão nacional de 1,83%.

Entre os marcos recentes dessa consolidação econômica, destaca-se a entrada em operação do Polo Automotivo do Ceará, em Horizonte, primeira planta automotiva multimarcas do Brasil. O empreendimento, que tem a Comexport como âncora e iniciou operações com modelos elétricos da General Motors, conta com investimento inicial de R$ 400 milhões, previsão de 250 empregos na primeira fase e potencial de gerar até 9 mil empregos diretos e indiretos ao longo dos anos.

O setor de alimentos e bens de consumo também celebra conquistas expressivas, como a inauguração do novo complexo industrial da J. Macêdo, em Horizonte, com investimento de R$ 300 milhões e previsão de geração de cerca de 200 empregos diretos. No setor calçadista, o Grupo Arezzo&Co avançou com projeto de expansão no Ceará, com meta de ampliar a produtividade de sua unidade em Uruburetama, que já reúne cerca de 1,2 mil colaboradores e produz entre 4,5 mil e 5 mil pares de calçados por dia.

O Ceará vem atraindo também novos empreendimentos para diferentes regiões do Estado, reforçando a política de interiorização do desenvolvimento econômico. Entre os exemplos estão JEF Calçados, em Baturité, com previsão de até 300 empregos na fase de implantação, a chegada da NKS Importação e Exportação de Calçados a Cariré, com investimento privado estimado em R$ 40 milhões e expectativa de gerar 800 empregos formais em até três anos e a instalação da Mallei Calçados em Granja, que deve gerar mais de 800 oportunidades de emprego na região Norte do Estado. Esses movimentos demonstram que a indústria calçadista segue como uma das principais forças de geração de emprego, renda e dinamização econômica no interior cearense.

A secretária executiva da Indústria da Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Brígida Miola, ressalta que esse avanço é fruto de planejamento, articulação institucional e diálogo permanente com o setor produtivo.

“A chegada desses grandes empreendimentos e a expansão de indústrias que já confiaram no nosso potencial mostram que o Ceará oferece segurança jurídica, infraestrutura, localização estratégica e mão de obra qualificada. Estamos vivendo uma virada importante, em que o investimento privado se conecta a uma agenda pública de desenvolvimento, geração de empregos e transformação social”, afirma.

Avanço acima da média nacional

Os resultados da indústria também são confirmados por dados oficiais. Em 2024, a produção física industrial do Ceará cresceu 6,9%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal Regional do IBGE, ficando entre os três melhores desempenhos do País no acumulado do ano. Já na passagem de dezembro de 2024 para janeiro de 2025, o Ceará registrou crescimento de 7,9% na produção industrial, o melhor resultado do Brasil naquele mês.

Esse avanço foi puxado por setores estratégicos da economia cearense, com destaque para:

  • Produtos têxteis: +29,3%
  • Produtos de metal: +28,4%
  • Confecção de artigos do vestuário e acessórios: +20,1%
  • Artefatos de couro, artigos de viagem e calçados: +18,3%
  • Metalurgia: +15,1%

Para a secretária Brígida, a performance dos setores tradicionais, somada à chegada de novas cadeias produtivas, demonstra a força da indústria cearense. “O crescimento da indústria cearense não é um dado isolado. Quando o setor têxtil cresce quase 30% e o setor de calçados avança mais de 18%, estamos falando de cadeias produtivas que empregam milhares de famílias e sustentam economias inteiras no interior do Estado”, destaca Miola.

Desenvolvimento com justiça social

O impacto mais relevante desse novo ciclo econômico aparece no mercado de trabalho. Em 2025, o Ceará gerou mais de 49,1 mil empregos com carteira assinada, segundo dados do Novo Caged. No mesmo ano, o Estado encerrou o período com 290.630 empregos formais na indústria, o segundo maior número entre os estados do Norte e Nordeste, atrás apenas da Bahia.

Em 2026, a trajetória segue positiva. Em março, o Ceará atingiu 1.469.712 pessoas com carteira assinada, mantendo o avanço do emprego formal no Estado.

O fortalecimento da economia formal demonstra que a interiorização do desenvolvimento, a atração de novas plantas industriais e o apoio à expansão de empresas já instaladas têm ampliado oportunidades, reduzido vulnerabilidades e promovido ascensão social por meio do emprego digno.

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