A chegada de 2027 marca uma nova etapa da Reforma Tributária e exige atenção das empresas brasileiras. Com mudanças na cobrança de impostos, no aproveitamento de créditos e nas obrigações fiscais, o planejamento tributário passa a ter papel estratégico para a gestão dos negócios.
As decisões tomadas nos últimos meses de 2026 podem influenciar diretamente os custos, a formação de preços e a rentabilidade das empresas no próximo ano. Por isso, revisar o regime tributário, os contratos comerciais, os sistemas de gestão e o fluxo de caixa é fundamental para uma transição mais segura.
A Reforma Tributária prevê a substituição gradual de tributos sobre o consumo. Em 2026, as empresas passam pela fase de testes da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Já em 2027, começam mudanças mais significativas, como a substituição do PIS e da Cofins pela CBS e o início da cobrança do IBS, com alíquota de transição de 0,1% em 2027 e 2028.
Também está prevista a entrada em vigor do Imposto Seletivo, destinado a determinados bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. As alíquotas do IPI serão reduzidas a zero, com exceções relacionadas à Zona Franca de Manaus. ICMS e ISS continuarão sendo cobrados durante essa etapa, com substituição gradual pelo IBS nos anos seguintes.
Para a Secran Group, empresa com quase 50 anos de mercado, informação, planejamento e estratégia são fundamentais para transformar mudanças tributárias em oportunidades para os negócios. Com soluções especializadas em contabilidade, gestão empresarial e consultoria tributária, a empresa apoia organizações na análise dos impactos da Reforma Tributária e na preparação para os próximos desafios.
Confira alguns dos principais pontos destacados pela equipe Secran:
Planejamento tributário exige revisão do regime da empresa
Um dos primeiros pontos de atenção é avaliar se o regime tributário continua adequado à realidade do negócio. Empresas enquadradas no Lucro Real, Lucro Presumido e Simples Nacional podem apresentar impactos diferentes com a implementação da CBS.
Para as empresas optantes pelo Simples Nacional, uma das decisões envolve a possibilidade de recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, separadamente dos demais tributos pagos pelo regime simplificado. A escolha deve considerar o perfil dos clientes, a composição dos custos, o aproveitamento de créditos e os impactos sobre os preços.
O regime mais vantajoso atualmente não será necessariamente a melhor alternativa diante das novas regras. Por isso, simulações tributárias são importantes para avaliar diferentes cenários e apoiar decisões com maior previsibilidade.
Reforma Tributária pode impactar preços e margens de lucro
A formação de preços também merece atenção. Com a substituição do PIS e da Cofins pela CBS, a carga tributária efetiva poderá variar conforme o setor, as operações realizadas e os créditos disponíveis.
Manter os mesmos preços sem uma análise prévia pode comprometer a rentabilidade. Nesse cenário, revisar a estrutura de custos, identificar despesas que podem gerar créditos e projetar diferentes cenários de tributação são medidas importantes.
Mais do que entender quanto imposto será pago, a empresa precisa avaliar quanto efetivamente sobrará de cada venda após as mudanças.
Créditos tributários e estoques entram no planejamento
O aproveitamento de créditos será outro ponto estratégico da transição. A nova sistemática da CBS prevê um modelo de não cumulatividade mais amplo, mas o direito ao crédito depende do atendimento às condições estabelecidas na legislação.
Os saldos credores de PIS e Cofins existentes na transição poderão continuar sendo utilizados, observadas as regras legais. Além disso, a legislação prevê hipóteses específicas de crédito presumido da CBS sobre determinados bens em estoque em 1º de janeiro de 2027.
Realizar um inventário adequado, organizar documentos de aquisição e revisar os saldos tributários ainda em 2026 pode contribuir para o planejamento financeiro e para o aproveitamento correto dos créditos.
Contratos comerciais precisam ser avaliados
Contratos firmados antes da Reforma Tributária podem continuar vigentes quando a nova tributação entrar em vigor. Por isso, é importante avaliar cláusulas relacionadas a preços, reajustes, responsabilidades tributárias e condições comerciais.
Empresas que trabalham com contratos de médio e longo prazo precisam de atenção especial, já que alterações na tributação podem modificar os custos considerados inicialmente na negociação.
A revisão antecipada contribui para reduzir riscos de conflitos comerciais e preservar o equilíbrio econômico dos contratos.
Sistemas de gestão e emissão de notas fiscais exigem adaptação
A preparação tecnológica também deve fazer parte do planejamento tributário. Com os novos tributos, os documentos fiscais eletrônicos passam a exigir informações específicas relacionadas ao IBS e à CBS, conforme os leiautes e cronogramas aplicáveis.
As empresas precisam verificar se seus sistemas estão preparados para classificar corretamente produtos, serviços e operações, aplicar os tratamentos tributários correspondentes, emitir documentos fiscais com os novos campos, registrar e controlar créditos e integrar informações fiscais, contábeis e financeiras.
A falta de preparação pode resultar em erros operacionais, rejeições de documentos fiscais e dificuldades no cumprimento das obrigações.
Fluxo de caixa e capital de giro exigem atenção
O planejamento tributário também deve estar conectado à gestão financeira. A mudança na forma de apuração dos tributos e o novo modelo de creditamento poderão alterar a dinâmica financeira das operações.
Outro mecanismo previsto pela Reforma é o split payment, que permitirá a segregação de valores tributários no processo de pagamento, conforme as regras e o cronograma de implementação.
Diante dessas mudanças, projetar entradas e saídas de recursos, revisar necessidades de capital de giro e acompanhar os efeitos da tributação sobre os recebimentos são medidas importantes. Uma empresa pode apresentar bons resultados comerciais e, ainda assim, enfrentar dificuldades financeiras por falta de planejamento.
Empresas do Simples Nacional devem observar os prazos
Microempresas e empresas de pequeno porte também precisam acompanhar as regras específicas para 2027. O prazo para solicitar ingresso ou retorno ao Simples Nacional foi encerrado em 15 de outubro de 2026. Já o prazo para regularizar pendências impeditivas de solicitações realizadas dentro do período permitido terminou em 30 de outubro.
A mesma data foi estabelecida para empresas optantes pelo Simples Nacional escolherem a apuração do IBS e da CBS pelo regime regular no primeiro semestre de 2027. A decisão exige uma avaliação individualizada, considerando as características e as operações de cada negócio.
A chegada de 2027 representa uma transformação que poderá influenciar desde a contratação de fornecedores até a formação de preços e o controle financeiro. Empresas que se prepararem com antecedência terão melhores condições de reduzir riscos, tomar decisões com maior previsibilidade e preservar sua competitividade.




















