A adoção de tecnologias adaptadas às condições do Semiárido pode abrir novas oportunidades para a produção agropecuária do Ceará. Soluções voltadas ao manejo do solo, uso eficiente da água, controle de pragas e alimentação dos rebanhos estão entre as alternativas apresentadas a produtores rurais para aumentar a produtividade e reduzir os impactos das condições climáticas.
O tema ganhou destaque na ExpoCariri 2026, realizada em Barbalha, na região do Cariri. A feira reuniu produtores, empresas e instituições de pesquisa em torno de demonstrações práticas de tecnologias e culturas agrícolas, com foco na transferência de conhecimento e na ampliação das oportunidades de negócio no campo.
Entre as iniciativas apresentadas pela Embrapa estão experiências com culturas como milho, sorgo, soja, algodão, trigo, gergelim e alfafa. As áreas demonstrativas permitem que produtores conheçam diferentes variedades e técnicas de cultivo, avaliando quais alternativas podem ser aplicadas às condições de suas propriedades.
Forrageiras adaptadas ajudam a fortalecer a pecuária
A produção de alimentos para os rebanhos é um dos principais desafios da pecuária no Semiárido do Ceará, especialmente durante períodos de estiagem. Nesse contexto, o uso de plantas forrageiras adaptadas ao clima pode contribuir para garantir maior disponibilidade de alimento e reduzir a dependência de insumos externos.
Na ExpoCariri, a Embrapa apresentou experiências com capins como Massai, Buffel, BRS Tamani, BRS Piatã e BRS Paiaguás, além de consórcios de culturas anuais, como milho e milheto, com capim Massai e feijão-guandu. As espécies foram avaliadas em pesquisas voltadas à alimentação de rebanhos em condições de clima semiárido.
A estratégia também vem sendo difundida no Ceará por meio do Programa Forrageiras do Ceará. A iniciativa encerrou 2025 com 494 Unidades Disseminadoras de Tecnologia implantadas ou em processo de implantação, beneficiando produtores de 35 municípios. O programa reúne culturas como capim Massai, BRS Capiaçu, sorgo, milho, palma forrageira e gliricídia, além de oferecer suporte técnico para implantação e manejo das áreas.
Drones e manejo biológico ampliam alternativas no campo
O uso de tecnologias de monitoramento também pode contribuir para tornar a produção mais eficiente. Na feira, foram apresentados drones voltados ao imageamento de lavouras e à identificação de pragas, além de equipamentos para liberação de inimigos naturais, uma alternativa de manejo biológico.
A tecnologia permite acompanhar áreas agrícolas e identificar problemas com maior precisão, favorecendo decisões de manejo mais direcionadas. O uso de ferramentas de monitoramento, associado à assistência técnica, pode ajudar a reduzir perdas e otimizar a aplicação de insumos.
Outra solução apresentada foi o Auras, produto enraizador desenvolvido para favorecer a resiliência das plantas e a absorção de nutrientes. A demonstração de tecnologias em campo permite que produtores conheçam as aplicações e esclareçam dúvidas diretamente com pesquisadores e empresas responsáveis pelo desenvolvimento.
Pesquisa e assistência técnica são fundamentais para ampliar a adoção
A presença de instituições de pesquisa e empresas em eventos agropecuários contribui para aproximar o conhecimento científico da realidade das propriedades rurais. No entanto, a adoção de novas tecnologias depende de fatores como custo, disponibilidade de assistência técnica, acesso a crédito e adaptação às condições de cada região.
Para o agronegócio cearense, o desafio é transformar as soluções apresentadas em ganhos efetivos de produtividade e renda. O uso eficiente da água, a escolha de cultivares adaptadas, o planejamento alimentar dos rebanhos e o monitoramento das lavouras podem ajudar a reduzir riscos e fortalecer a produção de alimentos no Semiárido do Ceará.
A ampliação dessas práticas também pode favorecer a diversificação agrícola e criar novas oportunidades para produtores do interior do Ceará. Com tecnologias adequadas às condições locais e acompanhamento técnico, o setor busca aumentar a eficiência das propriedades e fortalecer a capacidade de enfrentar períodos de irregularidade das chuvas.




















