A aprovação de um novo projeto de data center na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Pecém reforça uma transformação que vem ganhando força no Ceará, a chegada de grandes investimentos ligados à tecnologia e à economia digital. Autorizado pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), o empreendimento da Voltalia prevê investimento de R$ 181,7 bilhões e deve gerar 2,3 mil empregos diretos durante a implantação e outros 400 na fase de operação.
O projeto também prevê a ampliação da geração de energia eólica e solar para atender à demanda do centro de processamento de dados, além do uso de água de reúso na refrigeração dos equipamentos. A iniciativa se soma a outros projetos de data centers já planejados para a ZPE e amplia a presença do Ceará em um segmento que exige grande disponibilidade de energia, conectividade e infraestrutura.
A movimentação acontece em uma área que já possui uma vocação industrial consolidada. A ZPE Ceará foi a primeira Zona de Processamento de Exportação a entrar em operação no Brasil e possui infraestrutura integrada ao Porto do Pecém, além de benefícios tributários, cambiais e administrativos voltados a empresas com atuação direcionada ao mercado externo.
Atualmente, a área alfandegada da ZPE conta com empresas como ArcelorMittal, White Martins e Phoenix. A siderúrgica representa o maior investimento entre elas, de US$ 5,4 bilhões, enquanto White Martins e Phoenix somam investimentos de US$ 111,3 milhões e US$ 86 milhões, respectivamente.
A diferença agora está no perfil dos novos projetos. Além da indústria pesada, a ZPE vem atraindo empreendimentos relacionados a energias renováveis, hidrogênio verde e infraestrutura digital. O próprio Governo do Ceará já apresenta os data centers como parte de uma estratégia para transformar o Estado em uma base tecnológica, aproveitando a oferta de energia renovável e a posição geográfica favorável para conectividade.
Outro projeto de grande escala anunciado para a ZPE é o da Omnia Data Centers, que prevê mais de R$ 200 bilhões em investimentos ao longo de quatro fases até 2033. A primeira etapa, já em obras, tem aporte estimado em R$ 55 bilhões.
Esse movimento pode gerar impactos que vão além dos próprios data centers. Uma das estratégias em discussão é aproveitar os voos cargueiros que chegam ao Ceará com equipamentos tecnológicos para transportar produtos cearenses na viagem de retorno, ampliando as possibilidades de exportação de itens como frutas e calçados. A previsão é de que, a partir de 2027, cerca de 15 cargueiros por mês cheguem da China ao Ceará com equipamentos destinados à construção do data center.
Com isso, a ZPE passa a ocupar um papel ainda mais estratégico na economia cearense. Além de funcionar como plataforma para exportações industriais, o complexo começa a se consolidar como ambiente para investimentos em tecnologia, energia e infraestrutura digital, aproximando o Ceará de uma nova frente de desenvolvimento econômico.





















