Pacientes com alergias a medicamentos ou alimentos convivem diariamente com o receio de serem expostos, por engano, a substâncias capazes de provocar reações graves durante atendimentos médicos. Um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) estima que 14 a 16 milhões de brasileiros têm alergia a algum tipo de medicamento. Esse número representa entre 6% e 7% da população.
Pensando em reduzir o risco de falhas na assistência, a médica alergista Lorena Madeira idealizou o AlertAlergo, um dispositivo inteligente desenvolvido para tornar o atendimento hospitalar mais seguro. O projeto está em desenvolvimento há cerca de um ano e meio por uma equipe multidisciplinar do Instituto Federal do Ceará (IFCE).
A tecnologia foi criada para alertar médicos e profissionais de saúde sobre as restrições de cada paciente, reduzindo o risco da administração de medicamentos ou alimentos contraindicados.
“Nós começamos a pensar uma forma tecnológica de facilitar esse processo pois as pessoas com alergia a medicamentos passaram a fazer tatuagens com o nome das substâncias as quais elas são alérgicas por medo de receber uma medicação contraindicada”, conta Lorena.
Embora hospitais já utilizem mecanismos como pulseiras de identificação, registros em prontuários e avisos nos leitos, esses sistemas ainda dependem da comunicação entre equipes e podem estar sujeitos a falhas, como erros de transcrição, perda de informações ou problemas durante a troca de plantão e a transferência de pacientes.
O AlertAlergo propõe uma solução automatizada para esse processo. Na triagem, o paciente recebe uma pulseira ou colar equipado com um chip que armazena suas restrições a medicamentos e alimentos. Ao entrar no consultório, o dispositivo se conecta automaticamente, via Bluetooth, ao equipamento utilizado pelo médico e exibe, tanto na tela quanto por meio de aviso sonoro, todas as contraindicações cadastradas.
A tecnologia também poderá ser utilizada por técnicos de enfermagem no momento da administração de medicamentos, criando uma segunda etapa de verificação e ampliando a segurança durante o atendimento. Em casos de internação, o dispositivo permanece com o paciente durante todo o período hospitalar.
“Tudo isso foi pensando para aumentar a segurança e a gestão dos pacientes alérgicos a medicamentos dentro das unidades de saúde”, ressalta Lorena.
Antes de chegar ao mercado, o AlertAlergo ainda passará por novas etapas de validação. A próxima fase prevê a realização de testes de utilidade e usabilidade em um ambiente simulado na Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP). Após essa etapa, o dispositivo será avaliado em ambiente clínico, no Centro de Pneumologia e Alergia, onde será testado em condições reais de atendimento.
O AlertAlergo recebe investimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e é desenvolvido pelo IFCE em parceria com a CriarCE, da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (Secitece), a Universidade Federal do Ceará Campus Quixadá e com a Unichristus.























