O agronegócio cearense pode entrar em uma nova fase de expansão a partir do melhor aproveitamento dos perímetros irrigados existentes. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) defende a modernização dessas estruturas como estratégia para elevar a produtividade, ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado e fortalecer as exportações de frutas, legumes e verduras (FLV).
A proposta é defendida pelo presidente da Faec, Amílcar Silveira, que avalia que o crescimento do agro não depende apenas da abertura de novas áreas, mas também de uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos já disponíveis. A ideia é utilizar melhor a infraestrutura existente e direcionar a produção para culturas com maior potencial de geração de renda.
Um dos exemplos citados pela entidade é o Perímetro Irrigado Tabuleiro de Russas, que possui cerca de 10 mil hectares e tem potencial para chegar a 14 mil. Atualmente, pouco mais de 3 mil hectares estariam em operação. Para a Faec, ampliar a utilização dessa estrutura pode aumentar a produtividade e a capacidade de exportação do agro do Ceará.
A estratégia também passa pela mudança no perfil das áreas irrigadas. Segundo Amílcar Silveira, a intenção é substituir atividades de menor valor agregado por culturas mais rentáveis, aproveitando de maneira mais eficiente a infraestrutura hídrica disponível.
A discussão ganha relevância diante do desempenho recente da fruticultura cearense. No primeiro semestre de 2026, as exportações de frutas do Estado alcançaram US$ 62,05 milhões, crescimento de 32,4% em relação ao mesmo período de 2025. O melão e a melancia permanecem entre os principais produtos, enquanto outras culturas também ampliam sua participação no mercado internacional.
Para a Faec, porém, aumentar a produção é apenas parte da estratégia. A entidade também propõe a criação de um distrito de exportação de frutas, legumes e verduras, com o objetivo de concentrar etapas como produção, certificação e comercialização para o mercado externo. A proposta busca aproximar o produtor das estruturas necessárias para acessar mercados internacionais.
O modelo pode favorecer especialmente regiões que já possuem infraestrutura de irrigação, mas ainda operam abaixo de seu potencial. A concentração de produção e serviços também pode estimular investimentos em tecnologia, beneficiamento, logística e certificação, criando uma cadeia mais estruturada em torno do produtor.
A expansão, entretanto, depende de uma gestão cuidadosa da água. Para o presidente da Faec, modernizar os perímetros irrigados é também uma forma de aumentar a eficiência do uso dos recursos hídricos e reduzir a exposição do produtor aos riscos climáticos.
Se as propostas de modernização dos perímetros avançarem, a agricultura irrigada pode se consolidar como uma das principais ferramentas para ampliar a produção do agro e a renda no interior, ao mesmo tempo em que fortalece a presença dos produtos do Ceará no mercado nacional e internacional.





















