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Do navio ao avião: como o Ceará quer ampliar as exportações do agro com novas rotas logísticas

Do navio ao avião: como o Ceará quer ampliar as exportações do agro com novas rotas logísticas
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O agronegócio do Ceará vive um momento de expansão no mercado internacional, e a logística aparece como um dos principais fatores para sustentar o crescimento nas exportações. Além da estrutura do Porto do Pecém, que já desempenha papel estratégico no embarque de frutas para a Europa, o Ceará começa a desenhar uma nova possibilidade: utilizar voos cargueiros que chegarão ao Estado para transportar produtos perecíveis em suas viagens de retorno.

A estratégia está relacionada à chegada de grandes investimentos em data centers no Complexo do Pecém. A partir de 2027, a expectativa do Governo do Ceará é que cerca de 15 cargueiros aéreos por mês venham diretamente da China para o Estado levando equipamentos destinados à construção dos empreendimentos. A proposta é aproveitar o espaço disponível nos voos de retorno para exportar produtos cearenses.

Entre os produtos considerados para esse novo fluxo estão melão, frutas premium, pescados, flores, água de coco e castanhas. A escolha está relacionada, principalmente, à necessidade de velocidade no transporte. No caso das frutas e de outros produtos perecíveis, reduzir o tempo entre a produção e a chegada ao consumidor pode ampliar o acesso a mercados mais exigentes e preservar a qualidade das cargas.

Porto do Pecém já é estratégico para o agro

A nova alternativa aérea não substitui a importância do transporte marítimo. Pelo contrário: o Porto do Pecém já consolidou uma operação relevante para a exportação de frutas produzidas no Ceará e em outros estados do Nordeste.

Na safra 2025/2026, o porto projetou movimentar cerca de 200 contêineres refrigerados de frutas por semana com destino à Europa. Cada contêiner de 40 pés pode transportar até 27 toneladas de produtos, como melões, melancias, mangas e uvas. Cerca de 80% das cargas tinham como destino os portos de Roterdã, na Holanda, e Londres, na Inglaterra.

Em 2025, a movimentação de frutas pelo Complexo do Pecém cresceu 14%. O avanço foi puxado principalmente por melões, melancias e mamões, que registraram alta de 27% durante a temporada de maior movimentação, entre agosto e fevereiro.

O cenário acompanha o desempenho da própria fruticultura cearense. Até maio de 2026, as exportações do setor chegaram a US$ 54,66 milhões, segundo dados da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), com avanço de 49,81% em relação ao mesmo período de 2025.

Quando a logística vira vantagem competitiva

Para o produtor, chegar ao mercado internacional não depende apenas de produtividade ou qualidade. Em produtos perecíveis, a logística pode ser determinante para a competitividade.

É nesse ponto que a possibilidade de combinar diferentes modais ganha importância. O transporte marítimo oferece capacidade para grandes volumes e já atende a uma operação consolidada de exportação de frutas pelo Pecém. O aéreo, por sua vez, pode funcionar como alternativa para produtos de maior valor agregado ou que exigem menor tempo de deslocamento.

A estratégia planejada pelo Ceará parte justamente desse princípio: transformar uma movimentação logística que poderia ocorrer sem carga no retorno dos aviões em uma oportunidade de exportação. Em vez de as aeronaves voltarem vazias para a China, o Estado pretende utilizar o espaço para levar produtos locais ao mercado internacional.

Para o agronegócio, a possibilidade pode representar uma nova ferramenta de acesso a mercados, especialmente para produtos com maior sensibilidade ao tempo de transporte.

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