Durante anos, o comércio conviveu com um sistema tributário marcado por diferentes alíquotas, benefícios fiscais estaduais e uma enorme complexidade operacional. Não era raro que duas empresas vendendo exatamente o mesmo produto pagassem tributos diferentes apenas por estarem em estados distintos.
A reforma tributária nasce justamente para reduzir essas distorções. Com um sistema mais uniforme e baseado no destino da operação, a tendência é diminuir boa parte das diferenças que existiam entre os estados. Isso torna a concorrência mais equilibrada e reduz a importância da chamada guerra fiscal.
Mas isso não significa que todas as empresas comerciais serão automaticamente beneficiadas. A nova lógica valoriza muito mais a eficiência operacional. Empresas que possuem processos organizados, controle de estoque confiável, emissão correta de documentos fiscais e boa gestão financeira tendem a aproveitar melhor o novo ambiente tributário.
Outro aspecto importante está no aproveitamento de créditos ao longo da cadeia. Negócios que compram mercadorias de fornecedores bem estruturados podem capturar melhor os benefícios da não cumulatividade. Já empresas que mantêm processos pouco organizados podem perder oportunidades simplesmente por falta de controle.
Também será cada vez mais importante conhecer profundamente os fornecedores. A escolha deixará de considerar apenas preço e prazo de pagamento. A forma como aquele fornecedor está inserido no novo sistema poderá influenciar o custo efetivo da operação.
Na minha visão, essa talvez seja uma das maiores mudanças trazidas pela reforma. Ela aproxima o planejamento tributário da gestão estratégica. Antes, muitas empresas tratavam tributos como um assunto exclusivo do contador. Agora, decisões comerciais, financeiras e operacionais passam a conversar muito mais entre si.
O comércio continuará comprando e vendendo produtos, mas a forma de administrar essas operações tende a mudar bastante. Quem entender essa nova lógica primeiro terá melhores condições de proteger margem, negociar melhor e crescer de forma mais consistente.
Na próxima coluna, vamos falar sobre um setor que pode estar entre os maiores beneficiados pela reforma tributária: a indústria.
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