Com uma visão voltada à inovação no agronegócio, Surama Geleilate aborda os desafios e as oportunidades que moldam o futuro do setor. Neste artigo, ela destaca como a inteligência artificial deixou de ser tendência para se tornar uma ferramenta estratégica no campo.
A inteligência artificial deixou de ser tendência para se tornar parte da operação real do agronegócio brasileiro. O mercado global de IA na agricultura, que movimentou US$ 1,7 bilhão em 2023, deve atingir US$ 4,7 bilhões até 2028. No Brasil, o Sebrae estima crescimento de 25,5% no uso de IA no setor entre 2020 e 2026, e o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024–2028 prevê R$ 85 milhões em investimentos específicos para o campo.
Na prática, os resultados já são mensuráveis. Segundo a Embrapa, propriedades que adotaram sistemas de agricultura de precisão com IA registraram economia de até 30% no uso de fertilizantes e aumento médio de produtividade entre 15% e 20%. Drones com visão computacional identificam e tratam ervas daninhas individualmente, reduzindo o uso de defensivos em até 90% em casos reportados no Centro-Oeste. O Brasil é hoje um dos únicos países do mundo com mais de 150 robôs em operação em lavouras de soja e lidera o primeiro protocolo de IA aplicado ao algodão, com aumento de 5,3% na produtividade e na qualidade da fibra.
A tecnologia também avança na tomada de decisão comercial e financeira. Plataformas como SciCrop, Digifarmz e Jarilo integram dados de clima, solo e preços para gerar recomendações de manejo. Na concessão de crédito rural, startups como a Nagro reduziram o tempo de análise de meses para 48 horas usando IA. Na logística, ferramentas de telemetria e análise preditiva otimizam rotas e aumentam a previsibilidade das operações.
O principal desafio, apontado por especialistas como José Damico, CEO da SciCrop, é a organização dos dados. “A inteligência artificial tem um potencial fantástico de revolucionar o agronegócio, mas quem está colhendo resultados é quem entende que o dado é o ativo mais importante.” Conectividade rural limitada e falta de integração entre sistemas ainda travam parte do potencial disponível.
Segundo Oscar Burd, da FGV Agro, investir em IA nos próximos 12 meses pode garantir uma vantagem competitiva de três a cinco anos. Numa cadeia cada vez mais pressionada por custos e exigências do mercado global, essa janela não pode ser ignorada. O campo brasileiro já provou que sabe produzir em volume. O próximo passo é produzir com inteligência, e as ferramentas para isso já estão disponíveis.
Fontes: CNA/CEPEA-USP, Embrapa, FGV Agro, Sebrae, Agrosmart, SciCrop, Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024–2028.























