O Ceará vem ampliando sua presença no mercado de turismo de luxo, impulsionado pela combinação entre litoral, natureza, hotelaria de alto padrão e experiências personalizadas. O movimento acompanha a expansão de um segmento que movimentou R$ 3,34 bilhões no Brasil em 2025, segundo o Anuário BLTA 2026, elaborado pela Brazilian Luxury Travel Association.
O levantamento reúne informações de 63 meios de hospedagem, entre hotéis, resorts, pousadas e lodges. Juntos, eles receberam cerca de 1 milhão de hóspedes, com diária média de R$ 3.109 e ocupação de 50%. Apesar do perfil internacional desse tipo de turismo, o mercado brasileiro ainda responde pela maior parte da demanda: 70% dos hóspedes eram domésticos em 2025.
É justamente nesse cenário que o Ceará ganha destaque. O litoral cearense foi citado por 14% das operadoras de turismo de luxo pesquisadas entre os destinos nacionais mais procurados, empatando com São Paulo e ficando à frente de Fernando de Noronha, que registrou 10%. O Rio de Janeiro liderou a lista, seguido por Foz do Iguaçu e Pantanal.
A presença do Estado nesse mercado está relacionada a uma oferta que vai além da hospedagem. Destinos do litoral cearense conseguem combinar praias e paisagens naturais com resorts, pousadas de alto padrão, gastronomia, esportes e experiências personalizadas, características que vêm ganhando peso na definição do que o viajante considera luxo.
Os dados da BLTA mostram que o conceito de turismo de luxo também está mudando. Bem-estar, spa e relaxamento aparecem entre as demandas de 93% dos empreendimentos pesquisados, enquanto massagens são procuradas por 92% e gastronomia por 85%. Serviços personalizados aparecem em 65% dos estabelecimentos e experiências VIP em 53%.
O comportamento dos viajantes estrangeiros também ajuda a explicar o potencial desse mercado para destinos como o Ceará. Enquanto 58% dos brasileiros permanecem até três noites e outros 35% ficam entre quatro e sete noites, 80% dos estrangeiros permanecem mais de sete dias no Brasil. Nas operadoras pesquisadas, o tíquete médio diário chegou a R$ 16.524 para viagens domésticas e R$ 21.216 para visitantes internacionais.
Além disso, a demanda internacional vem ganhando espaço. Entre 2020 e 2025, a participação de europeus entre os visitantes de luxo passou de 9% para 14%, enquanto norte-americanos avançaram de 7% para 9% e latino-americanos, de 3% para 5%.
No Ceará, esse movimento se conecta a uma oferta hoteleira que vem incorporando novos empreendimentos e marcas voltadas ao público de maior poder aquisitivo. A chegada de projetos de padrão internacional, especialmente no litoral próximo a Jericoacoara, amplia a capacidade do Estado de transformar seus atributos naturais em produtos turísticos de maior valor agregado.
Com isso, o turismo de luxo passa a representar uma oportunidade não apenas para a hotelaria, mas para toda uma cadeia formada por gastronomia, transporte, experiências, eventos, serviços e comércio.





















