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Técnica de reconstrução com pele de tilápia da UFC é usada em Minas Gerais

A técnica que usa pele de tilápia em cirurgias de reconstrução vaginal, desenvolvida e aplicada na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, que integra o Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC/EBSERH), foi utilizada pela primeira vez em Minas Gerais na última sexta-feira (26). O procedimento foi realizado no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/EBSERH) pelo Prof. Leonardo Bezerra, do Departamento de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente da UFC.

Em parceria com a equipe do hospital, Bezerra conduziu duas cirurgias em pacientes diagnosticadas com a síndrome Rokitansky, doença rara que provoca alterações no útero e na vagina, fazendo com que estes órgãos se encontrem pouco desenvolvidos ou ausentes.

As cirurgias fazem parte de uma pesquisa que está sendo feita na UFMG. No caso, os pesquisadores estão trabalhando em uma tese de doutorado que consiste em um estudo comparativo, no âmbito ginecológico, entre a pele de tilápia e uma prótese biológica já existente no mercado.

“A perspectiva é que a pele de tilápia consiga ter ao menos similaridade em relação a essa prótese que já existe. Como ela [pele de tilápia] tem um custo muito menor e uma produção muito mais simples e acessível, se o resultado for semelhante isso vai ser uma conquista a mais na pesquisa, na popularização e no uso sistemático da pele de tilápia nas cirurgias vaginais”, explica Bezerra.

Segundo o docente, as cirurgias realizadas no hospital da UFMG foram consideradas um sucesso, tendo ocorrido de forma rápida e adequada. As pacientes evoluíram de forma satisfatória e estão com alta prevista para o fim desta semana.

Técnica de reconstrução

Além da UFMG, a UFC tem parcerias semelhantes nas pesquisas sobre o tema com a Universidade de São Paulo (USP) e com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente, a realização do procedimento está em fase clínica, ou seja, sem uso comercial. O projeto conta também com orientação do médico Edmar Maciel, presidente do Instituto de Apoio ao Queimado e coordenador-geral das pesquisas com pele de tilápia.

Além da utilização em pacientes com síndrome Rokitansky, o método desenvolvido na UFC é aplicado também em casos de pessoas com câncer de vagina e na reconstrução vaginal pós-cirurgia de redesignação sexual. A pele da tilápia contém uma grande quantidade de colágeno tipo 1, que a torna tão forte e resistente quanto a pele humana.

Para ser utilizado, o material passa primeiramente por um tratamento especial de limpeza e esterilização, feito nos laboratórios da UFC. Os estudos com pele de tilápia foram iniciados em 2015 nos laboratórios do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM/UFC) e desde então geraram várias aplicações na área da saúde, resultando em diversas parcerias e premiações.

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