A implementação da Reforma Tributária no Brasil vai além da simples substituição de tributos e impõe mudanças profundas no planejamento tributário e na rotina operacional das empresas. Processos como emissão de notas fiscais, formação de preços e gestão de custos passam a exigir maior atenção e respostas rápidas para evitar riscos fiscais e financeiros.
Segundo Gustavo Duailibe, especialista da Secran Group, um dos pontos mais sensíveis da reforma está na emissão das notas fiscais. Com o novo modelo, o documento passa a ter caráter de confissão de dívida, o que amplia significativamente a responsabilidade das empresas no correto destaque dos tributos. “Qualquer erro na emissão pode resultar em apuração incorreta, prejudicar o aproveitamento de créditos fiscais e impactar diretamente o resultado financeiro”, explica.
Nesse contexto, o setor de compras assume um papel ainda mais estratégico. De acordo com o especialista, é fundamental garantir que as notas fiscais de aquisição tragam corretamente discriminados os tributos IBS e CBS, condição essencial para que os créditos sejam efetivamente aproveitados. Falhas nesse processo podem gerar perdas financeiras e distorções na apuração tributária.
A gestão de compras também passa por uma transformação relevante. Matheus destaca que, com a reforma, as empresas precisam ir além da análise de preços. “Não basta olhar apenas o valor do produto ou serviço. É preciso considerar, de forma integrada, o custo e os créditos fiscais gerados em cada operação”, afirma. Essa análise conjunta passa a ser decisiva para a definição da precificação e para a manutenção da competitividade no mercado.
Outro ponto de atenção envolve o cadastro de clientes e a tributação no local de consumo. Com a mudança na incidência do IBS, empresas que atuam em mais de um estado devem revisar e manter atualizadas as informações cadastrais de seus clientes. Segundo o especialista, dados incorretos, como endereço desatualizado, podem resultar em recolhimento de tributos no local errado, aumentando o risco de autuações fiscais.
Para Matheus, a Reforma Tributária exige uma atuação integrada entre áreas como fiscal, compras, vendas, financeiro e contábil. A adaptação, segundo ele, não é apenas técnica, mas estratégica, demandando revisão de processos, capacitação das equipes e investimentos em sistemas de gestão.
Diante desse cenário, empresas que se anteciparem às mudanças tendem a reduzir riscos, preservar créditos tributários e garantir maior previsibilidade financeira ao longo do período de transição para o novo sistema tributário.









