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Psicóloga explica a Síndrome de Burnout, recém considerada doença ocupacional pela OMS

Entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2022 a classificação da síndrome de burnout como um fenômeno ocupacional. A síndrome está incluída na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade se baseou em estatísticas para alterar a classificação da doença.

De acordo com a psicóloga clínica e organizacional Karla Rolim, colunista do Conexão 085, a síndrome de burnout é um distúrbio psíquico caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse provocados por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes.

Segundo a OMS, a síndrome de burnout se refere especificamente a fenômenos no contexto ocupacional e não deve ser aplicada para descrever experiências em outras áreas da vida. A Dra. Karla Rolim destaca que algumas ocupações acabam sendo mais afetadas pelo transtorno.

“A síndrome se manifesta especialmente em pessoas cuja profissão exige envolvimento interpessoal direto e intenso. Profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada correm risco maior de desenvolver o transtorno”, conta a especialista.

A CID-11 caracteriza o burnout por três dimensões: sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia; aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho; e redução da eficácia profissional.

A psicóloga Karla Rolim pontua que a síndrome de burnout é confundida, muitas vezes, com outros problemas emocionais, pela semelhança dos sintomas. “Por isso é necessário prestar atenção em muitos detalhes, sendo que o diagnóstico só deve ser feito por um profissional. Saber identificar uma pessoa que tenha a síndrome é importante tanto para ajudá-la e para tornar o convívio o melhor possível”, enfatiza.

Ela destaca ainda que práticas simples, do dia a dia, podem ajudar a evitar a doença. “Ter uma rotina de exercícios físicos, alimentação saudável e adequada à rotina, não deixar de lado os momentos de lazer, procurar se cobrar menos e aprender com os erros, adaptar as tarefas de forma a manter a calma diante dos desafios diários. É importante também cultivar relacionamentos saudáveis no ambiente de trabalho e momentos de meditação, oração ou qualquer atividade que tranquilize a mente.”

Porém, a nova classificação da OMS estreita as relações entre a síndrome de burnout e o ambiente de trabalho. Na prática, a empresa se torna diretamente responsável pela saúde mental dos funcionários, algo que deve impactar os processos trabalhistas, por exemplo.

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