Mais do que uma celebração religiosa, a Páscoa também pode ser compreendida como um momento simbólico de reflexão e recomeço. Para além das tradições, a data costuma despertar sentimentos ligados a ciclos, mudanças e renovação pessoal, ainda que isso nem sempre aconteça de forma consciente.
Segundo a psicóloga Tricia Moreira, esse período ativa processos internos relacionados a encerramentos e novos começos. “A Páscoa não é só uma data. Ela é uma passagem. Fala de morte e também de renascimento, de dor que leva à transformação. Mesmo que muitas pessoas não percebam, algo dentro está acontecendo”, explica.
De acordo com a especialista, a conexão com a data está diretamente ligada às experiências individuais. “Todos nós estamos vivendo ciclos, encerrando histórias, lidando com perdas ou tentando recomeçar. A Páscoa toca exatamente nesse lugar interno: o desejo de deixar morrer aquilo que dói e permitir que uma nova versão de si mesma nasça”, afirma.
O papel da escolha no processo de mudança
Apesar do simbolismo, a psicóloga destaca que a transformação não acontece de forma automática. “Não adianta apenas sentir vontade de recomeçar. É preciso escolher o que precisa morrer dentro de você”, pontua.
Ela reforça que o processo vai além de uma mudança externa. “Não é sobre mudar a vida, mas sobre mudar o lugar de onde você vive a vida. É uma decisão interna, emocional e simbólica”, diz.
Três passos para um recomeço consciente
Como forma de orientar esse processo, Tricia apresenta três etapas fundamentais para quem deseja aproveitar o momento de forma mais prática:
O primeiro passo é reconhecer. Identificar o que já não faz sentido, sejam padrões de comportamento, relações ou formas de se tratar, é essencial para qualquer transformação.
Em seguida, é necessário acolher. Em vez de tentar evitar ou eliminar rapidamente sentimentos difíceis, a proposta é compreender que muitas dessas emoções já tiveram um papel de proteção. “Se você rejeita, você repete. Se você acolhe, você transforma”, explica.
Por fim, vem a escolha. Segundo a psicóloga, mudanças reais exigem decisões sustentadas no dia a dia, como estabelecer limites, se posicionar e não aceitar situações que causam sofrimento.
Entre o simbólico e o cotidiano
Embora esteja ligada a uma tradição religiosa, a Páscoa também se insere no cotidiano como uma oportunidade de pausa e reflexão. Para a especialista, o valor da data está justamente nessa possibilidade de olhar para dentro e repensar caminhos.
“A transformação não vem apenas da intenção, mas da decisão. É nesse movimento que uma nova versão começa a nascer”, conclui.


















