O dólar segue em queda e já opera na faixa de R$ 5,20. Ao mesmo tempo, a bolsa brasileira superou os 180 mil pontos, renovando máximas históricas. Esses movimentos não são ruído: refletem entrada consistente de capital estrangeiro no Brasil e em outros mercados emergentes, em busca de retorno real, diversificação e reposicionamento de portfólio global.
O fluxo voltou e quando o fluxo volta, o cenário macro muda. Fluxo estrangeiro fortalece o real e reduz o risco
A entrada de capital externo fortalece o real, reduz a percepção de risco e melhora as condições financeiras. O efeito é direto: o dólar cai, os ativos sobem e o custo de financiamento diminui. E isso tem uma consequência fundamental: a inflação fica mais fácil de controlar.
Dólar mais baixo é aliado da meta de inflação
Um câmbio mais apreciado reduz o custo de bens importados, insumos industriais, combustíveis e fertilizantes, aliviando pressões de preços em toda a cadeia. Parte importante do trabalho de desinflação passa a ser feito pelo câmbio, sem necessidade de manter juros elevados por tanto tempo.
Em outras palavras, cumprir a meta de inflação fica mais fácil quando o dólar ajuda — e ele está ajudando.
COPOM, em 28 de janeiro de 2015, manteve a Selic em 15% a.a, o cenário mudou
Na última reunião, o COPOM manteve a Selic em 15% ao ano, mas o comunicado trouxe um sinal importante: o início do ciclo de queda passou a fazer parte do horizonte, ainda que com cautela. Ao mesmo tempo, o Banco Central reforçou que seguirá buscando a convergência ao centro da meta de inflação.
A combinação desses dois elementos é crucial. Se o objetivo é o centro da meta e o dólar está em queda, o aperto necessário para chegar lá é menor do que antes. Manter juros excessivamente altos por muito tempo deixa de ser prudência e passa a ser atraso de reação. A queda dos juros precisa acompanhar.









