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Moléculas sintéticas criadas na UFC bloqueiam entrada do coronavírus nas células

Foto: Pixabay

O início da pandemia de SARS-CoV-2 há pouco mais de dois anos desencadeou uma corrida da ciência em busca não só de vacinas eficazes contra o coronavírus, mas também de moléculas que pudessem neutralizá-lo e frear sua infecção, visando a produção de medicamentos.

Na Universidade Federal do Ceará (UFC), essa busca chegou a moléculas sintéticas, criadas em laboratório, com alto potencial farmacológico, que bloqueiam a entrada do coronavírus nas células e reduzem a infecção.

Com um primeiro estudo publicado em julho de 2020, considerado pioneiro, uma equipe de pesquisadores do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular e do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da UFC atestou a eficiência in silico (por simulação) de moléculas, do tipo peptídeos, para bloquear a ação do vírus da covid-19, impedindo sua ligação com o organismo e evitando a infecção.

Agora, em novas publicações, o grupo validou in vitro (pondo as moléculas em contato com o vírus in natura) a função desses peptídeos como agentes capazes de impedir que o coronavírus use a proteína spike, sua principal chave de entrada, para se conectar à proteína ACE2, localizada na superfície da membrana das nossas células.

Interagindo com o vírus, os peptídeos alteram a proteína spike, retirando dela essa possibilidade de conexão. A ideia é que, uma vez modificada a spike e neutralizada essa chave de entrada do vírus, a infecção ou a replicação dele não ocorra, ou aconteça em nível reduzido, aliviando ou extinguindo os sintomas da covid-19.

Foto: Ramuné Vakaré/Bio Diversity4All

“Esse experimento simula muito bem o que ocorre com nossas células durante a infecção pelo vírus”, explica Pedro Filho Noronha de Souza, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo. “É geralmente nesse ensaio que as drogas falham, porque a carga viral é muito alta. Mesmo assim, nossos peptídeos foram efetivos em reduzir a formação da placa viral, mantendo as células vivas”, diz.

Uma forma de avaliar se as células estão vivas, mesmo após a infecção por SARS-CoV-2, é verificando sua viabilidade por meio de um teste com o composto químico MTT. Normalmente de cor amarela, esse composto muda para a cor roxa ao entrar em contato com células vivas; caso não haja viabilidade celular, o composto não tem alteração.

Nos testes com as células infectadas e os peptídeos sintéticos, a mudança de coloração foi constatada, permitindo o entendimento de que, mesmo com a infecção, os peptídeos mantiveram as células vivas.

O caminho até que os peptídeos se transformem em fármacos, porém, ainda é longo, já que requer novas pesquisas, com alto nível de investimento. “O próximo passo é partir para teste in vivo com animais e in vitro com células humanas, para ver o comportamento dos peptídeos. A principal ideia é usá-los como aerossol, que será inalado, ou como um fármaco na forma de comprimido. As aplicações para o desenvolvimento de fármacos são as mais diversas”, projeta o pesquisador Pedro Noronha.

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