O uso de suplementos orais voltados para pele, cabelo e unhas se tornou comum entre mulheres no período da menopausa. No entanto, segundo a dermatologista Helena Rios, nem todas as substâncias amplamente divulgadas apresentam eficácia comprovada. A orientação, de acordo com a especialista, é que a suplementação seja individualizada, baseada em evidências científicas e, sempre que possível, orientada por exames laboratoriais.
Colágeno: quando faz sentido usar
Um dos suplementos mais consumidos é o colágeno por via oral, especialmente nas formas Verisol e peptídeos de colágeno hidrolisado. De acordo com Helena Rios, estudos mais recentes e robustos, incluindo meta-análises com mais de mil pacientes, indicam que o colágeno só apresenta resultados quando associado a procedimentos que estimulem a produção de colágeno no organismo.
Entre esses procedimentos estão lasers, bioestimuladores injetáveis, microagulhamento e outras tecnologias dermatológicas. “Tomar colágeno isoladamente não traz benefício significativo e acaba apenas onerando o paciente”, explica a dermatologista.
Suplementos com potencial benefício na menopausa
Outras substâncias podem ter papel complementar nesse período. A coenzima Q10 tem mostrado bons resultados em mulheres maduras por atuar no metabolismo celular, ajudando na disposição física e no funcionamento do organismo. Já os ômegas 3 e 6 apresentam ação anti-inflamatória e podem ser interessantes durante a menopausa, fase associada a maior predisposição a processos inflamatórios.
A médica faz um alerta em relação ao ácido hialurônico por via oral. Mulheres com histórico de qualquer tipo de câncer nos últimos cinco anos não devem utilizar esse suplemento. Segundo ela, há indícios de que a substância possa estimular receptores envolvidos em vias oncogênicas, o que exige cautela nesses casos.
Proteínas, vitaminas e exames laboratoriais
A ingestão adequada de proteínas é um ponto central na menopausa, especialmente para a manutenção da massa muscular e da massa magra. A dermatologista destaca que muitas mulheres não conseguem atingir a quantidade necessária apenas com a alimentação. Nesse contexto, o whey protein pode ser utilizado como complemento, especialmente para quem tem dificuldade em consumir carnes ou outras fontes proteicas regularmente.
Em relação às vitaminas, a orientação é evitar suplementação indiscriminada. A vitamina D, amplamente utilizada, deve ter seus níveis avaliados por exame de sangue, já que o excesso também pode ser prejudicial. Segundo Helena Rios, níveis em torno de 30 a 40 ng/mL são considerados adequados. O mesmo cuidado vale para suplementos como zinco e biotina, que só devem ser usados quando há indicação clínica.
A biotina, bastante associada ao fortalecimento de unhas e cabelos, pode ser indicada em casos específicos, mas requer atenção. A dermatologista alerta que o suplemento pode interferir em exames laboratoriais, especialmente os relacionados à tireoide, sendo recomendada a suspensão alguns dias antes da coleta.
Queda de cabelo no climatério
A queda de cabelo é uma queixa frequente entre mulheres no climatério e, muitas vezes, pode ser um dos primeiros sinais da menopausa. Segundo a especialista, o período pode funcionar como gatilho para a alopecia androgenética feminina, conhecida como calvície feminina.
Nesses casos, o óleo de semente de abóbora tem sido utilizado como parte da suplementação, com resultados observados especialmente em mulheres com esse padrão de queda capilar. A médica reforça ainda a importância do ferro para a saúde dos cabelos, da pele e das unhas, destacando a necessidade de avaliar a ferritina, que indica o estoque de ferro no organismo.
Probióticos também podem ter um papel auxiliar, sobretudo em mulheres que apresentam piora de quadros alérgicos após a menopausa, embora as evidências científicas ainda sejam limitadas.
De forma geral, Helena Rios reforça que os estudos mais consistentes não apontam benefícios no uso excessivo de suplementos. “O mais importante é manter uma alimentação equilibrada, boa hidratação e suplementar apenas aquilo que realmente é necessário, com base em exames e avaliação médica”, conclui.

















