Você deve estar se perguntando: mas já faz tempo que 2026 começou, e vem falar agora sobre esse tema? Existe uma máxima que diz que, no Brasil, as coisas só funcionam depois do Carnaval. E, por falar nele, você, que deve estar aproveitando esse feriado à sua maneira, certamente está “instalado” em algum imóvel seu ou alugado. Um lugar que, com toda certeza, você pesquisou, buscou referências e talvez até tenha visitado com o atendimento especializado de um corretor.
E como você chegou a esse imóvel? Entrou em uma jornada de compra em que, em vários pontos, passou por um fluxo estratégico que, hoje, pelo comportamento do consumidor, não é nada linear.
No universo imobiliário, essa jornada faz parte de um trabalho que precisa ser estratégico. É aqui que entra o marketing, com um papel que vai muito além de compor a “embalagem”. Ela é importante, sim, porque a embalagem fala muito sobre o produto, mas quando falo em ir além, falo de compreender profundamente os aspectos que envolvem o comportamento de compra de cada segmento imobiliário. Isso evita uma visão superficial da atuação do profissional de marketing. E, em meio às grandes transformações dessa jornada, existem pontos críticos que precisam ser avaliados e aplicados.
Em 2026, o marketing imobiliário enfrenta a exigência de experiências personalizadas, impulsionadas pela IA, e o reflexo de investimentos cada vez mais voltados para as emoções. As narrativas de estilo de vida se intensificam e passam a ser mais valorizadas do que os aspectos técnicos. A pressa é substituída por uma rotina de bem-estar, dentro de um bairro que represente a sua narrativa de vida. E marcas fortes constroem confiança em meio aos cenários incertos da economia e da política.
No Nordeste, especialmente nas grandes capitais — Fortaleza, Recife e Salvador —, as narrativas são impulsionadas pelos ecossistemas locais: praticidade, lazer e sustentabilidade fazem parte do que se tornou essencial para um imóvel de alto padrão.
No médio padrão, o consumidor quer ser compreendido. Dados digitais revelam preferências por localizações que garantam rotinas mais equilibradas, já que a classe média é a que mais sofre com as altas taxas de juros e a instabilidade política.
Já na primeira moradia, o consumidor que adere aos programas do governo demonstra alta intenção de uso do FGTS e busca facilidades no financiamento, com taxas mais competitivas.
Em todos os segmentos, temos um consumidor mais consciente, maduro e exigente.
Diante de todo esse cenário desafiador, como o marketing pode atuar? Com base em pesquisas de tendências e na experiência prática, separamos alguns pontos considerados relevantes nessa jornada complexa:
1 – IA personalizada: ela está em tudo. Não se pode mais pensar em desenvolver uma jornada de compra sem o uso da IA, seja para personalizar etapas, identificar oportunidades de redução do ciclo de venda ou compor narrativas alinhadas à realidade do consumidor, respeitando cada perfil.
2 – Hábitos culturais: a valorização regional tem ganhado destaque em grandes projetos. A escolha de materiais e a arquitetura atemporal têm conquistado espaço, especialmente em empreendimentos que valorizam a sustentabilidade.
3 – Co-branding: marcas se unem para gerar relevância nos conceitos arquitetônicos, elevando a percepção de valor, especialmente em localizações de alta demanda, e trazendo diferenciais que fortalecem as narrativas.
4 – Conteúdo educativo: o consumidor quer aprender mais sobre a complexidade do imóvel, principalmente na primeira compra. Há também o interesse em entender como esse bem pode gerar rentabilidade no médio prazo. O consumidor que compreende claramente o que está adquirindo é aquele que compartilha e fortalece sua própria experiência.
5 – Experiência: deixei esse ponto por último não por ser menos importante, mas porque ele permeia toda a jornada de compra. Cada passo do consumidor é carregado de emoção. Independentemente de ser um imóvel premium ou do programa Minha Casa, Minha Vida, a experiência é a melodia que conduz toda essa narrativa.
E então, depois de tudo isso, você ainda acredita que o marketing precisa se preocupar apenas com o próximo post do Instagram?

















