A gasolina vendida no Brasil já passou a ter uma concentração maior de etanol e pode ganhar mais uma elevação nos próximos meses. Desde agosto, a mistura obrigatória passou de 30% para 32% de etanol anidro, formando a chamada E32. Paralelamente, o governo conduz estudos para avaliar a possibilidade de chegar à E35, com 35% de etanol.
A discussão ganha importância para os motoristas cearenses em um momento de preços elevados nos postos. Na semana de 6 a 12 de setembro, a gasolina comum foi comercializada, em média, por R$ 6,98 por litro em Fortaleza. Os valores são baseados no levantamento semanal da ANP.
Para os carros flex, a presença de mais etanol na gasolina também pode ter reflexos sobre o consumo. O etanol possui menor densidade energética que a gasolina, o que normalmente faz com que o veículo percorra menos quilômetros por litro quando abastecido com etanol puro. Já no caso da gasolina com uma proporção maior de etanol, a diferença tende a ser menor, mas pode existir algum impacto na eficiência dependendo do motor e das condições de uso.
Na prática, isso significa que uma eventual E35 pode alterar ligeiramente a autonomia de alguns veículos, fazendo com que o motorista precise de mais combustível para percorrer a mesma distância. O efeito, porém, não é igual para todos os carros e precisa ser avaliado conforme o motor e a calibração de cada modelo.
Os testes conduzidos pelo governo justamente procuram medir essas diferenças. No caso da E32, avaliações coordenadas pelo Ministério de Minas e Energia e realizadas pelo Instituto Mauá de Tecnologia analisaram desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões. Segundo o MME, não foram identificados impactos relevantes no funcionamento dos veículos testados, inclusive modelos com motores não flex.
Para o motorista do Ceará, portanto, a discussão sobre a E35 envolve dois fatores: quanto custa abastecer e quantos quilômetros o carro consegue percorrer com cada litro. Em um cenário de gasolina próxima dos R$ 7 por litro em Fortaleza, pequenas mudanças no consumo podem fazer diferença no custo mensal de quem utiliza o veículo diariamente.
A E35 ainda não é uma realidade nos postos. Os estudos em andamento devem avaliar principalmente a durabilidade dos componentes e os efeitos do combustível no uso prolongado antes de qualquer decisão sobre uma nova elevação da mistura.





















