O Ceará vem se consolidando como um dos principais polos de energias renováveis do Brasil e, junto com a chegada de grandes projetos de geração, surgem novas oportunidades para empreendedores locais. A movimentação no setor vai desde pequenas instaladoras de painéis solares até empresas especializadas em manutenção de parques eólicos e startups de tecnologia voltadas para energia limpa.
Um estado que já é referência em energia limpa
De acordo com a Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), o Complexo Solar Lagoinha, inaugurado em Russas em junho de 2025, tem capacidade de abastecer cerca de 200 mil residências e gerou mais de mil empregos diretos e indiretos na região. Para o governo estadual, esse é um exemplo de como os grandes empreendimentos impulsionam a cadeia de serviços e negócios locais.
No campo da energia eólica, o Ceará já soma 2,65 GW em operação distribuídos em centenas de aerogeradores, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). Além disso, o estado lidera projetos em licenciamento, inclusive na modalidade offshore, ainda em fase de estudos.
Já a energia solar distribuída, aquela instalada em telhados, comércios e pequenos terrenos, também avança. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o Ceará ultrapassou a marca de 1 GW em geração distribuída em 2024, com investimentos superiores a R$ 5 bilhões no setor.
Onde o empreendedor encontra espaço
O crescimento da matriz renovável no estado abre frentes de atuação para quem deseja empreender. As áreas mais promissoras incluem instalação de sistemas fotovoltaicos, manutenção de parques solares e eólicos (O&M), logística especializada e consultoria em licenciamento ambiental.
A Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias) destaca em seu Boletim Anual 2025 que o setor já movimenta uma extensa cadeia de fornecedores, que vai da produção de torres metálicas até serviços de engenharia. No Ceará, isso significa mais oportunidades para pequenas e médias empresas que consigam atender às demandas regionais.
No segmento de inovação, eventos como o Proenergia 2025, promovido pelo Sindienergia-CE, e a Intersolar South America, realizada em São Paulo, mostraram que startups voltadas para monitoramento remoto, softwares de eficiência e modelos de “energia como serviço” estão conquistando espaço, inclusive com participação de empresas cearenses.
Apoio e capacitação
Para preparar os pequenos negócios, o Sebrae Ceará lançou a iniciativa Trilha Solar 2025, voltada à capacitação de empreendedores interessados em atuar no setor. Segundo o Sebrae, a formação inclui desde noções técnicas até planejamento financeiro, justamente para reduzir barreiras de entrada e ampliar a competitividade.
Desafios e próximos passos
Apesar do potencial, desafios ainda precisam ser superados. Um levantamento da Aneel divulgado em julho de 2025 aponta que a capacidade de transmissão da rede elétrica pode ser um limitador para a expansão dos novos projetos. Isso significa que, além de empreendimentos de geração, o Ceará precisará investir também em infraestrutura para escoar a energia.
Outro ponto é a qualificação da mão de obra. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-CE) e o próprio Sebrae têm reforçado cursos e treinamentos, mas ainda há carência de técnicos especializados em instalação e manutenção.
O cenário mostra que o Ceará não é apenas protagonista na transição energética do Brasil, mas também um território fértil para empreender.









