Celebrado em 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade chama atenção para uma condição que vai além da balança. Reconhecida como doença crônica e multifatorial, a obesidade envolve fatores genéticos, metabólicos, sociais e também emocionais. Especialistas alertam que, sem considerar o aspecto psicológico, o tratamento tende a ser incompleto e, muitas vezes, temporário.
Segundo a psicóloga Trícia Moreira, fatores como ansiedade, compulsão alimentar e baixa autoestima têm papel central no desenvolvimento e na manutenção do excesso de peso. “Muitas vezes, a alimentação passa a funcionar como uma forma de compensação emocional. Ansiedade, frustração, solidão ou estresse podem levar à busca por alimentos como uma forma de alívio, especialmente doces e ultraprocessados, que ativam mecanismos de prazer no cérebro”, explica.
Ela destaca que a baixa autoestima pode agravar o quadro. “Quando existe uma relação negativa com o próprio corpo, a pessoa tende a alternar entre restrição e compulsão. Cria-se um ciclo difícil de romper: a pessoa come para aliviar uma dor emocional, sente culpa depois, e essa culpa reforça ainda mais a ansiedade e a compulsão.”
Abordagem integrada aumenta chances de sucesso
Para a especialista, tratar apenas alimentação e atividade física não é suficiente em muitos casos. “A obesidade não é apenas uma questão de comportamento alimentar. Se as causas emocionais que sustentam aquele padrão não são compreendidas e cuidadas, a mudança tende a ser temporária”, afirma.
Ela ressalta que dietas restritivas podem até funcionar no curto prazo, mas, diante de situações de estresse ou tristeza, a tendência é o retorno aos antigos hábitos. Por isso, o cuidado mais eficaz envolve uma abordagem integrada, com alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e acompanhamento psicológico.
“O acompanhamento ajuda a desenvolver consciência emocional, fortalecer a autoestima e criar novas formas de lidar com as emoções sem usar a comida como única estratégia de conforto”, conclui.
No Dia Mundial da Obesidade, o alerta é claro: enfrentar o problema exige olhar para o corpo e para a mente, reconhecendo que saúde é resultado de equilíbrio físico e emocional.

















