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O trabalho remoto veio para ficar? Por Eduardo Gomes de Matos

A pandemia da Covid-19 tem sido um grande um grande desafio para todos nós. Medo da morte, de perder entes queridos, isolamento social, uso de máscaras, mudança de hábitos etc. têm nos impactado de forma tão inédita que o mundo jamais será o mesmo.

E com relação ao trabalho, não foi diferente.

 Deixamos os escritórios e iniciamos a trabalhar de forma remota. Empresas grandes e pequenas viram grandes oportunidades nesta mudança, mas ainda pairam no ar muitos questionamentos e dúvidas sobre esta nova forma de trabalhar. 

Mas como aconteceu esta mudança e será que ela é definitiva? Vamos analisar como ocorreu a evolução do trabalho para que possamos avaliar esta dúvida. Durante milhares de anos o home viveu da agricultura e o seu local de trabalho eram os campos de plantação. Então veio a Renascença e surgiram as cidades e com elas os comércios e serviços, houve um deslocamento do local de trabalho para alguns trabalhadores. 

Depois tivemos a Revolução Industrial na qual surgiram novos locais de trabalho. Já no século passado surgiram as grandes corporações, e novamente houve uma mudança nos locais de trabalho. Com o avanço da tecnologia, computadores que antes ocupavam salas inteiras, foram as mesas, depois para nossos colos e agora estão em nossos bolsos, juntamente com internet e a cloud permitiu que muitos trabalhadores pudessem escolher seu local de trabalho. Isso antes da pandemia ocorria com poucos, mas depois da Covid-19 descobriu-se que trabalho não é onde você produz, mas o que você produz. 

Claro que existem profissões que não podem ser realizadas de forma remota, tais como o serviço de um garçom ou o atendimento de uma enfermeira. Mas muitas são totalmente passíveis de serem realizadas de forma remota. 

Muitos confundem trabalho remoto e home office. Muitos pensam que significa sair do escritório e ir para casa. E não é isso. O trabalho remoto tem vários modelos. Pode ser um mix presencial mais home office. Pode ser híbrido – presencial mais qualquer lugar em que o profissional sinta que é mais produtivo (coworking, café, livraria, etc). 

Muitas organizações viram os ganhos de qualidade de vida para os trabalhadores, aumento de produtividade e redução de custos e já tomaram a decisão de implantar decisivamente o trabalho remoto. As vantagens são muitas: tempo, dinheiro e saúde física e mental. Diminui a poluição e apoia as economias locais. 

A Global Workplace Analitycs analisa que o trabalho remoto traz até 43% de aumento de produtividade e a Tecla afirma que proporciona até 82% de menos stress. A Smallbizz Genius faz a estimativa que diminui gastos com profissional até 11mil dólares por ano. 

É para todo mundo? Não. Como comentei anteriormente alguns serviços prestados por enfermeiras, garçons, operários, segurança etc. não poderão ser realizados de forma remota. Trabalhar neste novo formato existe uma mudança de mindset. O trabalhador precisa assumir a vida remota. 

Existem alguns fundamentos para que o trabalho remoto seja efetivo. O primeiro é ter consciência de que as pessoas não foram preparadas para o trabalho remoto. Segundo, home office não é sinônimo de trabalho remoto. É apenas uma modalidade. Pode-se trabalhar em vários locais. É a pessoa ter a liberdade do local que quer trabalhar onde você se sinta mais produtivo. Terceiro, não é porque você trabalha bem presencialmente que você trabalhará bem remotamente. 

Tem muitas pessoas que só sabem trabalhar de forma oral. É eficiente dentro do contexto antigo, mas muda a forma de trabalhar, ou fica perdida ou dispara a metralhadora do WhatsApp. Precisa reprogramar o cérebro. 

E você está preparado para trabalhar de forma remota? 

 

Eduardo Gomes de Matos

Sócio Fundador da Gomes de Matos Consultoria

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