O Carnaval costuma alterar horários, rotina de sono e alimentação. Para quem mantém frequência regular na academia, a dúvida é como atravessar o período de folia sem perder condicionamento físico e sem colocar a saúde em risco.
Segundo o gestor técnico do Grupo AYO, Júlio César Chaves Nunes Filho, doutor em Ciências Médicas pela UFC, o principal erro não está nos quatro dias de festa, mas na dificuldade de retomar a disciplina depois.
“O segredo para não perder o ritmo de meses de academia em poucos dias é manter o estímulo neuromuscular, mesmo fora do ambiente ideal”, afirma.
Estratégias práticas para não interromper o ritmo
Entre as orientações, está a adoção de treinos de contingência. Caso não haja academia disponível, a recomendação é realizar cerca de 20 minutos de exercícios com o peso do próprio corpo, como agachamentos, flexões e pranchas, preferencialmente no início do dia.
A estratégia ajuda a manter o metabolismo ativo e preserva o hábito, considerado um dos pilares da regularidade.
Outra orientação é priorizar exercícios multiarticulares, que ativam grandes grupos musculares ao mesmo tempo. Como o tempo tende a ser reduzido durante o feriado, esse tipo de estímulo garante maior eficiência em menos minutos.
O especialista também destaca que a retomada deve ser encarada como compromisso. “A Quarta de Cinzas é inegociável. O maior prejuízo não são os dias de folia, mas a dificuldade de voltar ao ritmo normal depois”, reforça.
Equilíbrio entre treino, descanso e hidratação
Além da organização dos treinos, a gestão da saúde é fundamental nesse período. O consumo de álcool, comum durante o Carnaval, exige atenção.
De acordo com Júlio César, o álcool desidrata o tecido muscular e prejudica a condução nervosa, o que pode aumentar o risco de lesões e cãibras. A recomendação é intercalar cada dose de bebida alcoólica com um copo de água, medida que ajuda a proteger o sistema cardiovascular e reduzir impactos da desidratação.
A alimentação também deve ser observada. O especialista orienta que treinos intensos não sejam realizados em jejum, principalmente se a rotina estiver desregulada. O corpo precisa de aporte energético adequado para suportar o esforço, sobretudo em ambientes de alta temperatura, evitando episódios de hipoglicemia ou queda de pressão.
O descanso, por sua vez, deve ser encarado como parte do processo. Em casos de privação severa de sono, treinos de alta intensidade não são recomendados. “Treinar exausto eleva o cortisol e sobrecarrega o coração. Nesses dias, o descanso é uma ferramenta de saúde tão importante quanto o exercício”, explica.
Manter a regularidade no Carnaval não significa abrir mão da diversão, mas adaptar a rotina com responsabilidade. Pequenos ajustes podem preservar o condicionamento físico e facilitar a retomada após o feriado, evitando que a pausa temporária se transforme em abandono prolongado dos treinos.

















