O Ceará vem ganhando espaço no cenário nacional da produção de leite de gado. Entre 2015 e 2024, o estado registrou crescimento de 147,3% na produção, passando de 489,2 milhões para 1,2 bilhão de litros, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE. O avanço foi o maior registrado entre os estados brasileiros no período, e o melhoramento genético aparece entre os fatores que ajudam a explicar esse desempenho.
Mais do que aumentar o número de animais no campo, a aposta em genética busca tornar o rebanho mais produtivo e eficiente. Por meio de técnicas como inseminação artificial e fertilização in vitro (FIV), produtores conseguem introduzir características desejáveis no rebanho, selecionando animais com maior potencial de produção de leite e melhor adaptação às condições de cada propriedade.
No Ceará, esse movimento já chega a pequenos produtores. Um programa desenvolvido pelo Sistema Faec/Senar em parceria com o Sebrae utiliza embriões de animais de alta linhagem e tem como meta acrescentar 500 mil litros de leite por dia à produção estadual. Segundo a Faec, produtores que apresentavam média de 6,6 litros por vaca/dia passaram a alcançar entre 20 e 30 litros após a adoção da tecnologia e do acompanhamento técnico.
A estratégia também ganhou reforço recentemente com a ampliação do programa de melhoramento genético da pecuária leiteira. Em agosto, a Faec informou que mil bezerras de alta linhagem foram preparadas em Limoeiro do Norte para serem distribuídas a pequenos produtores, com expectativa de que os animais alcancem produção de aproximadamente 30 litros de leite por dia.
Para além do aumento da produção, a genética pode contribuir para uma pecuária mais adequada à realidade do semiárido. A seleção de animais com características produtivas e de adaptação ao clima pode ajudar o produtor a buscar maior eficiência mesmo diante de desafios como altas temperaturas, disponibilidade de água e alimentação.
Outro ponto é o impacto econômico para quem vive da atividade. Ao produzir mais leite com um rebanho mais eficiente, o produtor pode aumentar a receita sem necessariamente ampliar na mesma proporção a quantidade de animais ou a área utilizada. A tecnologia, portanto, passa a ser uma ferramenta não apenas de melhoramento do rebanho, mas também de gestão e competitividade da propriedade.
A experiência cearense mostra ainda como tecnologias antes associadas a grandes propriedades podem chegar aos pequenos e médios produtores. O programa de FIV da Faec, por exemplo, é direcionado a criadores com menor número de animais e prevê subsídio de parte do custo do procedimento para os participantes.
Com o crescimento da produção leiteira no Ceará, a tendência é que genética, nutrição, manejo e assistência técnica do gado avancem de forma integrada. Nesse cenário, melhorar a qualidade do rebanho pode ser um dos caminhos para que a pecuária leiteira cearense continue aumentando sua produtividade e fortalecendo a renda no campo.





















