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Valorizando o que é nosso: o reconhecimento de indicação geográfica das redes de Jaguaruana

Símbolo cearense, a rede de dormir representa uma parte fundamental na identidade de Jaguaruana, a “Terra da Rede”. Atualmente, o município no Vale do Jaguaribe abriga cerca de 200 fábricas de rede, que movimentam a economia e fazem parte da vida diária. Tanto o brasão da bandeira, criado em 1890, quanto o hino municipal ostentam referências à principal fonte de renda local:

“Tuas palmeiras que o vento balança / E tuas redes são nossa esperança.”

Merecidamente, as redes de dormir de Jaguaruana foram objeto da primeira Indicação Geográfica de Procedência do Estado. É um título de propriedade industrial que reconhece, nacionalmente, determinado produto ou serviço em razão das características específicas de um território, seja por fatores naturais ou humanos.

O título reconhece o município como centro de fabricação de redes de dormir com características únicas, garantindo a visibilidade no mercado e competitividade dos produtores da região. Em fevereiro de 2020, o Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará (Nutec) protocolou o pedido junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), em nome da Associação de Fabricantes e Artesãos de Jaguaruana.

A concessão foi publicada pelo INPI na Revista da Propriedade Industrial em maio deste ano, mas a certificação só ganhou caráter definitivo em agosto, após prazo regulamentar de 60 dias para possíveis contestações. Esta é a primeira Indicação de Procedência (IP) concedida para um produto do nosso Ceará.

O Nutec enviou mais de 500 páginas de documentos para comprovar a vocação produtora de redes do município, descrever o processo de fabricação das redes e estabelecer critérios de qualidade que devem ser seguidos por todos os produtores que quiserem usar o selo. Por meio desse reconhecimento, o Núcleo atribui um fortalecimento da identidade do município, o aumento da satisfação dos produtores e, como consequência, a melhora na qualidade de vida dos moradores.

Desejo de consumo

Dentre os benefícios da Indicação Geográfica, o Nutec também cita a profissionalização da comercialização dos produtos e o acesso a novos mercados internos e exportação. Maior exportador de redes do Brasil, o Ceará vendeu US$ 1,23 milhões do produto ao mercado internacional no primeiro semestre de 2021, um crescimento de 75% em relação ao mesmo período do ano passado.

As redes de Jaguaruana correspondem a 30,8% dessas exportações, atrás apenas de Fortaleza, e somam US$ 380 mil. Os dados são de estudo setorial realizado pelo Centro Internacional de Negócios da FIEC. Neste primeiro semestre, Alemanha, Holanda e França foram os principais compradores das redes cearenses, com aumento de 91,6% só nas importações alemãs.

É fato, todos querem um pouco desse balanço que só o cearense tem.

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