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Glaucoma: Novos Paradigmas no Acompanhamento

Por muito tempo, Glaucoma era sinônimo de pressão intraocular (Po) elevada. A evolução de novas técnicas de diagnóstico e o acompanhamento desta patologia demostraram que o aumento de Po é apenas um fator de risco para o aparecimento e progressão da doença.

O Glaucoma caracteriza-se por uma neuropatia óptica acompanhada de progressiva perda de células ganglionares da retina e consequente dano ao nervo óptico, resultando em perda de campo visual e cegueira irreversível. O glaucoma vai roubando a visão da pessoa sem que ela perceba. Quando os sintomas aparecem, o glaucoma já produziu danos significativos, com perdas de visão associada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. No Brasil, estima-se que um milhão de pessoas tenha a doença.

O diagnóstico do glaucoma depende da identificação da lesão estrutural do nervo óptico e sua documentação é fundamental para o acompanhamento clínico. Glaucoma necessita de acompanhamento e controle. Não há cura para o glaucoma! O diagnóstico precoce é de fundamental importância para o controle da doença. Inicialmente, este controle é realizado com uso de colírios que atuam no principal fator de risco para a progressão da doença: a pressão intraocular(Po). O controle efetivo permite interromper ou desacelerar a progressão da doença, no processo de perda de fibras ganglionares, dano ao nervo óptico e restrição do campo visual.

A progressão da doença pode ser altamente variável entre os indivíduos. A identificação precoce de progressão é de extrema importância, pois o diagnóstico precoce e o tratamento adequado pode retardar a progressão da doença e preservar a visão. Esta detecção precoce da progressão do glaucoma continua a ser um dos aspectos mais desafiadores no manejo da doença. Devido à natureza lenta, variável e progressiva da doença, o acompanhamento por métodos cada vez mais precisos e reprodutíveis  se faz necessário

Nos últimos anos, novos aparelhos de imagem surgiram sendo capazes de realizar  medidas quantitativas do nervo óptico e da camada de fibras nervosas da retina (CFNR). Desta forma, a avaliação do paciente suspeito ou com glaucoma passou a ser objetiva, automatizada e reprodutível. A tomografia de coerência óptica (OCT) é uma das técnicas mais utilizadas por fornecer um grande número de informações, em alta resolução, de forma rápida e não invasiva. 

Estudos demonstram que o OCT demonstra uma medida sensível da progressão do glaucoma. Ao analisar tanto a camada de fibras ganglionares (onde está o dano primordial na fisiopatologia da doença) quanto ao promover uma analise minuciosa da rima do nervo óptico e escavação associada, o OCT constitui importante método para maximizar a detecção da progressão do glaucoma e também em seu diagnostico em fases iniciais. Contudo, o seu uso deve ser associado aos demais métodos convencionais, para garantir maior segurança ao paciente. O uso isolado do OCT não deve ser encorajado. O OCT constitui mais uma arma nesse arsenal e seu aprimoramento pode trazer benefícios para um melhor controle da doença.

Além de métodos de diagnostico e acompanhamento, o tratamento não-cirúrgico do glaucoma esta evoluindo para a busca de drogas neuroprotetoras, já que estudos recentes sugerem o glaucoma ser uma doença neurológica ou neurodegererativa. As drogas neuroprotetoras evitariam a morte das células afetadas pelo processo neurodegererativo do glaucoma e ainda poderiam promover um processo de regeneração. Nesta linha, também estão sendo desenvolvidos estudos com uso de células tronco, mas ainda em fase experimental.

De toda forma, estas novas tecnologias tem surgido para auxiliar o oftalmologista e apontam para um futuro promissor no tratamento e acompanhamento do glaucoma, porém insistimos que o diagnóstico precoce no glaucoma é fundamental para a preservação da visão. 

DR. RÉGIS SÁ VIEIRA
MÉDICO OFTALMOLOGISTA – CRM 7514/CE RQE 6890
Ex-residente da Clinica de Olhos da Santa Casa de Belo Horizonte
Especialista em Glaucoma e Cirurgia do Segmento Anterior/Catarata pela Clinica de Olhos da Santa Casa de Belo Horizonte

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