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A prática da terapia de contraste no bem-estar, por Sasha Reeves

A prática da terapia de contraste no bem-estar, por Sasha Reeves
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Nos últimos anos, tenho observado a forma como a experiência que alterna a imersão na banheira de gelo combinada com o calor da sauna está indo cada vez mais além do universo esportivo e passando a ocupar um lugar de destaque no debate sobre bem-estar. Em Fortaleza, essa discussão ganha novos contornos com a chegada de espaços que propõem experiências cada vez mais imersivas no conceito Wellness, com espaços estruturados para isso. Para além de uma tendência, trata-se de um reflexo direto de uma sociedade que busca, cada vez mais, equilíbrio físico e mental.

Do ponto de vista fisiológico, os efeitos da alternância entre calor e frio intenso são conhecidos. Ao entrar na água gelada, o corpo reage com vasoconstrição, seguida por um aumento do fluxo sanguíneo após a saída. Esse mecanismo, combinado com a vasodilatação proporcionada pela sauna, está associado à recuperação muscular, redução de dores e melhoria da circulação, benefícios já bem documentados, especialmente no contexto esportivo. Não por acaso, atletas utilizam essa prática há décadas.

No entanto, é preciso separar o que é evidência do que é entusiasmo. Vejo com cautela a forma como a terapia de contraste com gelo e sauna vem sendo apresentada, muitas vezes como solução universal para questões que vão de imunidade à longevidade. A ciência ainda não sustenta todas essas promessas. Em alguns casos, inclusive, o uso inadequado pode comprometer processos naturais do corpo, como a adaptação muscular.

Isso não invalida a prática. Muito pelo contrário. Defendo que ela seja incorporada com responsabilidade e orientação profissional, respeitando limites individuais e possíveis contraindicações. A experiência pode ser potente quando aliada a outras estratégias, como respiração guiada e momentos de pausa, atuando também sobre o sistema nervoso e o controle do estresse, promovendo descompressão e relaxamento

Outro ponto que considero relevante é a transformação da terapia de contraste em um fenômeno de Social Wellness. O autocuidado deixa de ser solitário e passa a ser compartilhado, criando conexões e fortalecendo o senso de comunidade. Esse movimento diz muito sobre o nosso tempo, onde a busca por bem-estar se une à necessidade humana de conexão.

A terapia de contraste não é milagre, mas também não é apenas modismo. É uma ferramenta poderosa, e seu valor reside na forma consciente e orientada como escolhemos utilizá-la para aprimorar nossa saúde e bem-estar geral.

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