A economia da atenção e o mês de dezembro por Raquel Marques
Raquel Marques convida o leitor a olhar para a economia da atenção e impactos na vida.
Por Redação 085 - Conexão085
Você já sentiu que tudo disputa a sua atenção ao mesmo tempo? Em um cenário de excesso de informações e estímulos constantes, a atenção humana se tornou um recurso cada vez mais escasso, e, por isso, extremamente valioso. É a partir dessa reflexão que Raquel Marques, coordenadora de marketing da Moura Dubeux, convida o leitor a olhar para a economia da atenção e seus impactos na vida profissional e pessoal.
Você já ouviu falar desse conceito?
Mas, afinal, o que ele significa?
A economia da atenção é um conceito que descreve como a atenção humana se tornou um recurso escasso e valioso na era da informação. Com o excesso de estímulos e dados disponíveis, captar e manter a atenção das pessoas passou a ser um dos principais objetivos das empresas e plataformas digitais.
Embora esteja muito em evidência atualmente, o termo não é novo. Ele foi cunhado pelo economista Herbert A. Simon, em 1971, ao destacar que “uma riqueza de informações cria uma pobreza de atenção”.
Do ponto de vista da psicologia — ainda a partir dos escritos de Simon, que atuava em diferentes campos do desenvolvimento da psicologia cognitiva —, a sobrecarga informacional, intensificada pelas mídias, gera gargalos de atenção e inúmeros outros efeitos, como impacto na concentração, perda de foco e sobrecarga na saúde mental. O próprio Simon já falava, naquela época, sobre o desafio de criar filtros (ou seja, hábitos) diante do excesso de estímulos. Isso na década de 70. Imagine nos tempos atuais.
E quando somamos tudo isso ao período mais estressante do ano? Sim, dezembro, que por si só já carrega uma pressão para finalizar tudo o que acreditamos que precisa ser concluído. Diante dessa pressão, somos expostos a uma enxurrada de estímulos, dados e informações, que se transformam em um grande caldeirão de notificações. Como não surtar? Como manter o foco no que realmente importa?
Nesse ponto, trago outro autor que faz um interessante contraponto ao falar sobre a alegria de ficar de fora. Refiro-me ao livro de André Carvalhal, que pode ser considerado um dos “filtros” mencionados por Simon. Carvalhal propõe mais do que uma reflexão sobre a urgência — especialmente no ambiente digital. Ele faz um verdadeiro convite à reconexão com o que realmente importa (e que nem sempre tem a ver com performance). Em meio ao barulho ensurdecedor das notificações, ele nos chama ao silêncio, à presença e ao tempo com as pessoas. E como isso soa necessário no mês que vivemos.
Aqui cabem algumas perguntas:
Onde nos perdemos?
Por que não olhamos mais nos olhos das pessoas? (Estamos sempre de cabeça baixa, olhando para uma tela.)
Em que momento deixamos de viver para postar?
Tudo precisa mesmo virar conteúdo?
Eu, Raquel — quem escreve este artigo —, tenho feito essas reflexões ao longo do ano por uma razão muito clara: minha filha Zoe, de 4 anos. Ela pede atenção. Pede cuidado. Pede que eu leia histórias de princesa para ela. E, por algum tempo, negligenciei esses momentos. Embora tenha tentado me convencer de que era necessário, no fundo, foi uma escolha — e hoje me arrependo.
Com esse aprendizado, tenho aplicado constantemente os recursos oferecidos pelos autores citados neste texto: tempo de pausa, tempo de presença, tempo de conexão real. Estudar a economia da atenção e seus efeitos, do ponto de vista profissional, fez com que eu trouxesse essa reflexão também para o âmbito prático da vida. Ela é mais do que necessária.
Por isso, não vou me alongar. Para que, ao final desta leitura, você possa desligar, sair da tela e vivenciar o mundo real — com pessoas reais e conexões reais.
Feliz 2026.
27 de dezembro de 2025 às 9:00














