Nos últimos anos, ouro e prata deixaram de ser curiosidades de portfólio para ocupar o centro do debate entre investidores. Em um cenário marcado por incertezas fiscais, tensões geopolíticas, mudanças na política monetária global e reprecificação de risco, os metais preciosos voltaram a exercer seu papel histórico de proteção patrimonial.
O ouro registrou uma valorização histórica em 2025, ultrapassando US$ 4.400 por onça e acumulando cerca de 65% de alta no ano, um dos melhores desempenhos anuais desde a década de 1970. No mesmo período, a prata também atingiu níveis recordes, superando US$ 76 por onça, com ganhos percentuais ainda mais expressivos em determinados momentos do ciclo.
O movimento recente, contudo, é parte de uma tendência mais ampla. Em uma janela maior, o ouro praticamente quadruplicou de preço na última década, saindo da faixa próxima a US$ 1.060 por onça em 2016 para níveis acima de US$ 4.800 em 2026. A prata, com oferta relativamente restrita e crescente uso industrial, especialmente em tecnologia e transição energética, apresentou ainda mais volatilidade e, em diversos períodos, superou o desempenho do ouro.
Diversos fatores explicam essa valorização. A expectativa de queda dos juros reais nas principais economias, especialmente nos Estados Unidos, reduz o custo de oportunidade de manter ativos que não pagam rendimento, como ouro e prata. Juros reais mais baixos tornam o carregamento desses metais relativamente mais atrativo.
O enfraquecimento do dólar em determinados momentos do ciclo amplia o poder de compra de investidores de outras moedas, reforçando a demanda global. Além disso, bancos centrais têm ampliado compras de ouro para diversificação de reservas internacionais, criando uma base estrutural de demanda que vai além do investidor individual ou especulativo.
Somam-se a isso riscos geopolíticos, conflitos regionais, incertezas fiscais e dúvidas sobre sustentabilidade de dívida pública em grandes economias. Em ambientes assim, cresce a busca por ativos reais, tangíveis e historicamente reconhecidos como reserva de valor.
Quando falamos que ouro e prata ajudam a reduzir risco, estamos nos referindo principalmente a:
- Risco inflacionário: protegem poder de compra em ciclos de inflação elevada.
- Risco de desvalorização cambial: funcionam como hedge contra enfraquecimento de moedas.
- Risco geopolítico: tendem a se valorizar em momentos de tensão global.
- Risco sistêmico financeiro: servem como proteção em crises bancárias ou choques de confiança.
- Risco de política monetária: quando há perda de credibilidade ou excesso de liquidez no sistema.
Naturalmente, também carregam riscos próprios: volatilidade elevada, ausência de geração de fluxo de caixa e possibilidade de correções relevantes quando o cenário macro se estabiliza ou os juros reais sobem.
Diante desse cenário, a pergunta clássica permanece: é hora de entrar ou é hora de sair? Como em todo ciclo de mercado, só o tempo confirmará se estamos diante de uma nova perna estrutural de alta ou de um movimento já maduro.
O fato é que, mais uma vez, os metais preciosos provaram que, em momentos de transição e incerteza, voltam a ocupar seu espaço como instrumentos de preservação patrimonial e diversificação de risco.

















