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Agentes de IA avançam nas empresas e ampliam possibilidades de automação, aponta Luciano Moreira

Agentes de IA avançam nas empresas e ampliam possibilidades de automação, aponta Luciano Moreira
Foto: Jaqueline Rocha / Conexão 085
Foto: Jaqueline Rocha / Conexão 085

A inteligência artificial começa a assumir um papel que vai além de responder perguntas e auxiliar profissionais em tarefas individuais. Com o avanço dos agentes de IA, empresas passam a contar com sistemas capazes de interpretar objetivos, executar ações em diferentes plataformas e conduzir processos com menor necessidade de intervenção humana. A mudança amplia as possibilidades de automação e pode transformar áreas como atendimento, vendas, operações e gestão.

Para Luciano Moreira, CEO da Lógic Digital, a principal diferença entre os agentes de inteligência artificial e os chatbots tradicionais está na capacidade de execução. Enquanto os chatbots respondem a solicitações e fornecem informações, os agentes recebem objetivos e podem realizar uma sequência de ações para resolver demandas.

“A diferença está entre responder e agir. O chatbot tradicional, mesmo com IA generativa, conversa: entende a pergunta, consulta uma base de conhecimento e devolve um texto. Quem resolve o problema continua sendo uma pessoa”, explica.

Os agentes de IA, por outro lado, podem consultar sistemas corporativos, como CRM e ERP, executar tarefas, verificar resultados e acionar profissionais quando necessário. Na prática, isso permite que uma solicitação seja conduzida do início ao fim, em vez de apenas receber uma orientação inicial.

“É como passar de um atendente que só informa para um colaborador que resolve o assunto até o fim”, afirma Luciano.

Como os agentes de IA podem ser usados nas empresas

A aplicação dos agentes de inteligência artificial ganha espaço principalmente em atividades que seguem regras claras, envolvem diferentes sistemas e consomem tempo das equipes em tarefas repetitivas. No atendimento ao cliente, por exemplo, a tecnologia pode identificar uma solicitação recebida por WhatsApp ou e-mail, classificar sua prioridade, abrir um chamado e encaminhá-lo ao setor responsável com as informações organizadas.

Também é possível utilizar agentes para consultar pedidos, emitir boletos e segundas vias, atualizar cadastros e agendar ou remarcar compromissos. Em operações que exigem suporte fora do horário comercial, os sistemas podem atender por voz ou texto, identificar situações urgentes e acionar equipes de plantão quando necessário.

Na área comercial, os agentes podem responder a potenciais clientes, realizar perguntas de qualificação, registrar informações no CRM e agendar reuniões com vendedores. Já em atividades de back-office, podem auxiliar na conferência de documentos, cruzamento de relatórios e atualização de sistemas.

Segundo Luciano, o potencial da tecnologia está relacionado à possibilidade de assumir processos inteiros, e não apenas reduzir o volume de perguntas direcionadas às equipes.

“O chatbot reduzia o volume de perguntas que chegavam à equipe. O agente reduz o volume de trabalho, porque assume processos inteiros”, destaca.

Atendimento, vendas e operações estão entre as áreas com maior potencial

Entre as áreas com maior potencial de aplicação, o CEO da Lógic Digital aponta o atendimento e o suporte como ambientes em que os resultados podem aparecer mais rapidamente. O volume de solicitações, a repetição de procedimentos e a expectativa por respostas imediatas favorecem a adoção de agentes capazes de atuar continuamente.

No setor comercial, a tecnologia pode contribuir para reduzir o tempo de resposta a leads, realizar qualificações iniciais e manter o acompanhamento de oportunidades. Em operações e tecnologia da informação, pode apoiar o monitoramento de sistemas, a abertura de incidentes e o encaminhamento de demandas internas.

O financeiro também pode se beneficiar de aplicações voltadas à cobrança, conciliação e envio de documentos. No RH, agentes podem responder dúvidas sobre benefícios e políticas internas, além de auxiliar em processos de integração de novos colaboradores.

Apesar das possibilidades, Luciano ressalta que a implementação deve começar pela identificação de uma necessidade concreta da empresa, e não pela escolha da tecnologia.

“Minha recomendação para quem está começando: não comece pela tecnologia, comece pelo processo. Escolha um fluxo bem definido, com volume e dor reais, meça o antes e o depois e expanda a partir daí”, orienta.

Autonomia exige controle e supervisão

A capacidade de executar ações não significa que os agentes de IA devam operar sem limites. Para Luciano, projetos bem estruturados precisam definir quais atividades podem ser realizadas autonomamente, quais exigem aprovação humana e em que situações a demanda deve ser encaminhada a um profissional.

Ações sensíveis, como estornos, concessão de descontos ou decisões que possam afetar contratos, podem continuar dependendo de autorização humana. A definição dessas regras é parte importante da implementação, especialmente em operações que envolvem dados de clientes e decisões com impacto financeiro.

O executivo também alerta para o risco de tentar automatizar muitos processos de uma só vez. A recomendação é iniciar com um fluxo específico, acompanhar os resultados e ampliar o uso da tecnologia gradualmente.

Com a evolução dos agentes de IA, a inteligência artificial passa a ser vista não apenas como uma ferramenta de apoio à produtividade, mas como parte da capacidade operacional das empresas. A expectativa é que a tecnologia assuma atividades repetitivas e permita que as equipes concentrem esforços em tarefas que exigem julgamento, negociação e relacionamento.

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