O Ceará segue na liderança nacional da produção de castanha de caju. Em 2025, o Estado colheu 69,3 mil toneladas, o equivalente a aproximadamente 60,4% das 114,7 mil toneladas produzidas no Brasil. Os dados são da Produção Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e reforçam a importância da cajucultura para o agronegócio cearense.
Apesar da liderança, os números também revelam um desafio para o setor. A produção estadual caiu em relação a 2024, quando havia alcançado cerca de 102,3 mil toneladas. A variação evidencia a influência das condições climáticas sobre a atividade e a necessidade de ampliar a produtividade dos pomares.
Uma das estratégias para fortalecer a cadeia produtiva é a renovação dos cajueirais com variedades mais produtivas. Em novembro de 2025, o Governo do Ceará anunciou a distribuição de mais de 400 mil mudas para a safra 2025/2026. A iniciativa busca substituir plantas antigas e de baixa produtividade por materiais genéticos com melhor desempenho.
A tecnologia também avança por meio da pesquisa. Em março de 2026, a Embrapa Agroindústria Tropical lançou Unidades de Referência Tecnológica da cajucultura em comunidades de Beberibe e Cascavel. A iniciativa busca aproximar os produtores de técnicas de manejo e soluções capazes de melhorar os resultados das lavouras.
Além da produção no campo, o beneficiamento representa uma etapa importante para a economia do setor. O Ceará concentra uma estrutura industrial relevante para o processamento da castanha, com grandes fábricas, minifábricas e pequenas agroindústrias. O aproveitamento do pedúnculo, parte carnosa do caju frequentemente subutilizada, também abre possibilidades para a fabricação de sucos, doces e outros produtos de maior valor agregado.
O desafio para a cajucultura cearense é transformar sua posição de liderança em ganhos de produtividade e competitividade. A renovação dos pomares, o acesso à assistência técnica e o melhor aproveitamento dos derivados podem contribuir para reduzir perdas, ampliar a renda dos produtores e fortalecer a participação do Estado no mercado nacional e internacional.
Com a maior parcela da produção brasileira, o Ceará reúne condições para continuar como referência na cadeia da castanha de caju. A continuidade desse protagonismo, porém, dependerá da capacidade de modernizar os cultivos e enfrentar fatores como a irregularidade das chuvas e a baixa produtividade de parte dos cajueirais.




















