Mais do que reunir empresas, investidores e especialistas em tecnologia, o Siará Tech Summit pode funcionar como um ponto de aproximação entre negócios cearenses e mercados internacionais. A avaliação é de Décio Simões Pereira, vice-presidente de Inovação, Tecnologia e Educação da Câmara Brasil Portugal no Ceará, que destaca o papel das conexões criadas no evento para empresas interessadas em iniciar processos de internacionalização.
Segundo ele, um dos primeiros passos é conseguir identificar negócios que já tenham interesse em acessar outros mercados e, a partir dessa disposição, ajudá-los a entender que internacionalização exige preparação, estratégia e conhecimento do ambiente onde pretendem atuar. “A internacionalização é um instrumento, mas tem que ter método. A ideia é desmistificar esse processo e mostrar para as empresas que esse mercado está mais próximo do que parece”, afirma.
Para Décio, os principais desafios não estão necessariamente na distância, mas nas diferenças culturais, regulatórias e comerciais. Mesmo em mercados com proximidade linguística, como Portugal, é preciso compreender como o produto ou serviço se encaixa na realidade local. “O que existe são desafios, principalmente de cultura e de regulação de mercado. Mas, com método, esses desafios podem ser vencidos. O papel de ambientes como o Siará Tech Summit é justamente trazer para perto aquilo que muitas empresas ainda enxergam como distante”, explica.
Portugal aparece, nesse cenário, como uma possível porta de entrada para empresas que desejam acessar o mercado europeu. Antes de qualquer movimento, no entanto, Décio recomenda a realização de estudos de aderência do produto. “O primeiro passo que recomendamos é o ‘market fit’, um estudo para entender se aquilo que a empresa vende tem aderência à cultura e ao mercado europeu. Depois disso, entram as conexões com instituições, órgãos e parceiros que podem facilitar esse processo”, diz.
Na avaliação dele, eventos como o STS ajudam justamente a encurtar esse caminho. “Muitas vezes, a internacionalização não é complexa. O complexo é chegar até a pessoa certa. Quando você tem uma rede de relacionamento e consegue criar essas conexões, o processo fica mais acessível e o que estamos vendo no Siará Tech Summit é justamente essa integração de interesses diversos.”
Décio também destacou o potencial no amadurecimento do ecossistema cearense de startups, especialmente entre empresas com modelos escaláveis e atuação B2B. Para ele, a combinação entre infraestrutura tecnológica, capacidade empreendedora e redes de contato amplia as possibilidades de negócios locais olharem para fora do país. “Se a empresa já tem infraestrutura, um modelo escalável e uma rede de relacionamento, fica muito mais fácil pensar em outros mercados. E é esse tipo de conexão que um ambiente como o Siará Tech Summit pode ajudar a construir”, conclui.




















