O cinema produzido no Ceará ganhou projeção internacional em 2026 com a trajetória de “Feito Pipa”, longa dirigido pelo cineasta cearense Allan Deberton e filmado em Quixadá e outras localidades do interior do Estado. Em setembro, a produção deu mais um passo importante ao ser escolhida pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027, na categoria de Melhor Filme Internacional.
A escolha, no entanto, é resultado de uma trajetória que começou antes da corrida pelo Oscar. Desde sua estreia mundial, na Berlinale, em fevereiro deste ano, o filme passou por festivais na Europa, América Latina, América do Norte e Ásia e acumulou reconhecimentos internacionais. No Festival de Berlim, recebeu o Urso de Cristal de Melhor Filme, concedido pelo Júri Jovem da mostra Generation Kplus, e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mesma mostra.
A produção também foi premiada no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México, e no Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias, na Colômbia. No Brasil, o longa conquistou quatro Kikitos e uma Menção Honrosa no Festival de Cinema de Gramado, incluindo os prêmios de Melhor Direção para Allan Deberton, Melhor Atriz para Teca Pereira, Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos e Melhor Filme pelo Júri Popular.
Uma história que nasceu no sertão
“Feito Pipa” acompanha Gugu, um menino de 11 anos criado pela avó Dilma, uma professora aposentada. Quando ela começa a apresentar sinais de Alzheimer, o garoto tenta esconder a situação para evitar ser separado dela e precisar morar com o pai, Batista, interpretado por Lázaro Ramos. A trama aborda infância, memória, amadurecimento e os vínculos familiares a partir de uma realidade sertaneja.
Quixadá não aparece apenas como cenário. Foi na cidade e em seus arredores que Allan Deberton rodou a história, levando para as telas paisagens e elementos do sertão cearense. A própria comissão que escolheu o filme para representar o Brasil destacou sua capacidade de unir uma narrativa de alcance universal a uma identidade brasileira construída a partir de uma cidade do interior do Ceará.
Do Ceará para o circuito internacional
A trajetória de “Feito Pipa” também revela a participação de profissionais formados e atuantes no Ceará em diferentes etapas da produção. O roteirista André Araújo, mestre em Comunicação pela UFC, assina o roteiro do longa. O projeto passou pelo Laboratório de Cinema da Escola Porto Iracema das Artes, em Fortaleza, onde recebeu o primeiro lugar entre os projetos do laboratório em 2019 e posteriormente foi contemplado com o Prêmio Incubadora Paradiso.
A equipe também reúne profissionais formados pela Universidade de Fortaleza. Entre eles estão Dayse Barreto, responsável pela direção de arte; Marina Hilbert, assistente de som; e Gabi Oliveira, assistente de fotografia.
O caminho percorrido pelo filme mostra, assim, uma cadeia que passa pela formação de profissionais, desenvolvimento de projetos, produção local e circulação em festivais. “Feito Pipa” chega à disputa pelo Oscar depois de construir essa trajetória em diferentes espaços do mercado audiovisual, levando uma história ambientada no sertão para públicos de outros países.
A escolha da Academia Brasileira de Cinema colocou a produção cearense entre as representantes nacionais que serão avaliadas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. A lista de 15 semifinalistas da categoria será anunciada em dezembro, enquanto os cinco indicados ao Oscar 2027 serão conhecidos em janeiro.





















