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Violência contra a mulher: psicóloga Karla Rolim explica os impactos na saúde mental das vítimas

Violência contra a mulher: os impactos na saúde mental das vítimas
Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

A violência contra a mulher frequentemente ultrapassa o episódio da agressão e pode deixar marcas na saúde mental que permanecem mesmo depois que a vítima consegue romper com o ciclo de abusos. Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que, em 2024, foram notificados 293.842 casos de violência contra mulheres no sistema de saúde. Desse total, 64% ocorreram no contexto doméstico. O levantamento também aponta que 66,2% das mulheres atendidas já haviam sofrido agressões anteriores da mesma natureza, evidenciando a recorrência dos atos.

Os dados reforçam a permanência de um cenário em que o ambiente doméstico, que deveria representar proteção e segurança, pode se transformar em espaço de medo e ameaça.

Para a psicóloga Karla Rolim, a quebra do sentimento de segurança causada pela violência pode provocar consequências profundas na saúde mental da mulher.

“O lugar que mais deveria proteger a mulher [a casa] passa a ser associado ao perigo, e a pessoa em quem se depositava confiança [o companheiro] passa a ser percebida como ameaça. Na saúde mental, isso aparece através da ansiedade e uma hipervigilância por se sentir impotente. Na maioria dos casos, uma tristeza intensa, baixa autoestima, culpa e dificuldade de confiar nas pessoas por causa do trauma e por se sentir vulnerável”, afirma Karla.

Os impactos da violência não estão restritos às marcas deixadas no corpo. Situações de controle, ameaças, humilhações, isolamento e outras formas de violência psicológica também podem afetar a autoestima e a percepção que a mulher tem de si mesma e de seus relacionamentos.

Reconstruir a vida depois de uma situação de violência é um desafio e costuma ser um processo longo. Karla Rolim defende que o acompanhamento psicológico pode contribuir para a reconstrução dessa autonomia e da sensação de segurança.

“Depois de uma experiência de violência, muitas vezes não basta ‘seguir em frente’. É preciso identificar os gatilhos, reconhecer sinais de ameaça com mais lucidez, entender cada reação emocional e reconstruir gradualmente a sensação de segurança. Na clínica trabalhamos com a recuperação da autoestima através das pequenas escolhas, buscando trazer de volta para essa mulher a capacidade de decidir sobre a própria vida.”

Depois de meses, anos ou até décadas em uma relação marcada por controle, algumas mulheres ficam com dificuldade de reconhecer seus próprios limites e sua capacidade, além de carregarem um medo profundo de desagradar.

Por isso, a reconstrução de vínculos saudáveis e o fortalecimento da autonomia são etapas importantes para que a mulher consiga retomar projetos e escolhas que podem ter sido interrompidos durante o período de violência.

“Não se trata de apagar o passado, mas de impedir que o passado determine sozinho o futuro de uma mulher que, como todas as outras tem todo o direito de receber de volta a própria vida em suas mãos para decidir fazer o que quiser e escolher” finaliza a psicóloga.

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