Uma pesquisa divulgada este ano revelou que 72% dos brasileiros vivem em “modo de sobrevivência”, um estado marcado por tensão constante, dificuldade de descanso e sensação permanente de urgência. O dado acende um alerta sobre uma realidade cada vez mais comum: a dificuldade de equilibrar as exigências profissionais com o cuidado da saúde, da família e da própria felicidade.
Em um cenário onde produtividade e resultados costumam ser vistos como sinônimos de sucesso, muitas pessoas acabam deixando em segundo plano aquilo que também sustenta uma vida plena: os relacionamentos, o lazer e o autocuidado. Mas até que ponto vale a pena sacrificar o presente em nome das conquistas futuras?
Segundo a psicóloga Karla Rolim, isso acontece porque fomos ensinados a priorizar resultados e responsabilidades externas. “Muitas vezes, cuidar de nós mesmos ou estar com quem amamos é visto como algo que pode ser adiado. O que acontece é que, ao colocar sempre as demandas de fora em primeiro lugar, acabamos nos desconectando das nossas próprias necessidades emocionais e dos relacionamentos que dão sentido à vida”, explica.
A psicologa alerta que a busca excessiva por resultados pode custar momentos que não voltam mais, como acompanhar o crescimento dos filhos, fortalecer amizades, cuidar da saúde e desfrutar das pequenas experiências do cotidiano. “Quando a busca por resultados se torna prioridade absoluta, podemos experimentar exaustão, solidão e até a sensação de que, apesar das conquistas, algo essencial ficou pelo caminho”, destaca.
Para Karla Rolim, construir uma trajetória profissional de sucesso não significa abrir mão da felicidade ou dos afetos. O caminho passa pelo estabelecimento de limites, pelo respeito aos momentos de descanso e pela valorização das diferentes dimensões da vida.
Ao final, a psicóloga propõe uma reflexão: “Como você imagina sua vida daqui a alguns anos? Além dos resultados e conquistas profissionais, o que gostaria de ter acumulado ao longo dessa jornada?”






















