Da aquicultura ao transporte marítimo, a economia azul foi o centro das discussões na abertura, nesta segunda-feira (08/06) do Ocean Summit 2026, evento promovido pelo Observatório da Indústria Ceará, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). Reunindo especialistas, empresários, acadêmicos e representantes do setor público na Casa da Indústria, o primeiro dia de programação teve como destaque a masterclass do economista e escritor belga Gunter Pauli, pioneiro do conceito de Economia Azul, além de debates sobre o desenvolvimento estratégico das atividades econômicas relacionadas ao mar e o uso sustentável dos recursos naturais.
Conduzido pelo Presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, o evento teve a participação de Fábio Feijó, Secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará; Miguel Marques, CEO da Skipper & Wool; Felipe Goyanna, representante do Ministério da Pesca e Aquicultura; Denise Carrá, Secretária do Turismo de Fortaleza; Dana Nunes, Superintendente do IEL Ceará; Paulo André Holanda, Superintendente do SESI Ceará e Diretor Regional do SENAI Ceará; de Guilherme Muchale, Gerente do Observatório da Indústria Ceará; entre demais autoridades e lideranças industriais.
Para dar início à programação, que conta com parceria do Sebrae e apoio do Hub ODS Ceará e da Câmara Setorial de Economia Azul da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (ADECE), Ricardo Cavalcante, destacou que o Ocean Summit 2026 pretende mostrar à indústria e à sociedade que o mar oferece grandes oportunidades de inovar, produzir riqueza, gerar empregos e construir modelos de desenvolvimento mais inteligente e sustentável.
Segundo ele, as condições naturais, estruturais e logísticas cearenses podem posicionar o estado como referência nas discussões sobre Economia Azul. “Temos um litoral privilegiado, uma posição geográfica estratégica, uma rica biodiversidade, vocação logística, potencial para energias renováveis offshore e uma diversa cadeia produtiva ligada à pesca, à aquicultura, ao turismo, aos serviços marítimos e ao comércio internacional. Não por acaso, o Ceará consolidou-se como o maior exportador de pescados do Brasil, demonstrando a força e a competitividade dessa atividade diretamente ligada à nossa vocação marítima”, disse.
O Presidente da FIEC afirmou, ainda, que o evento deve auxiliar o setor produtivo cearense a avançar na agenda industrial e ambiental relacionada à economia do mar. “É a chance de ouvir especialistas, estudar experiências bem-sucedidas, fortalecer conexões internacionais, ampliar parcerias com outros países, abrir novos mercados para os produtos cearenses e brasileiros, atrair investimentos, tecnologia e capital capazes de transformar em desenvolvimento sustentável as riquezas que o nosso território possui”, acrescentou.
Referência mundial no tema, Gunter Pauli afirmou que a Economia Azul é um portfólio de oportunidades e que a ideia é atuar junto à FIEC para identificar quais são os principais potenciais do Ceará e de que formas eles podem se transformar em projetos concretos.
Na visão do especialista, o maior desafio para efetivar essas iniciativas é a falta de conhecimento. “Se você não sabe que é possível, não pode fazer projetos novos. Meu objetivo principal é dialogar para identificar grandes oportunidades com base nos mais de 200 projetos que ajudei a concretizar com uma economia azul. Temos mobilizados mais de 5 bilhões de euros para esses projetos. O que precisamos é fazer juntos um portfólio de oportunidades e, com essas oportunidades, fazemos um plano de ação”, afirmou.
Guilherme Muchale ressaltou que a Economia Azul já representa quase 3% do PIB do Estado e é responsável por empregar cerca de 8 mil pessoas com carteira assinada, dados que podem avançar ainda mais nos próximos anos, com o fortalecimento das atividades portuárias e dos avanços em setores como o de energia offshore.
“As perspectivas são muito positivas e o Ocean Summit vem justamente para que possamos refletir sobre a nossa visão para os próximos anos e criar uma agenda articulada entre o setor público, setor empresarial, academia e sociedade civil organizada para implementar um futuro mais sustentável e inovador na Economia Azul”, disse Muchale.
Masterclass
Durante a masterclass na abertura do evento, Pauli falou sobre alguns dos cases implementados a partir da metodologia ZERI (Zero Emissions Research and Initiatives, ou Pesquisa e Iniciativas de Emissões Zero, em português), conceito utilizado pelo especialista que defende uma lógica de desenvolvimento capaz de unir crescimento econômico, inovação e recuperação ambiental.
“A metodologia que quero compartilhar é a de que, se existe uma estratégia clara e a capacidade de fazer ligação entre oportunidades, vamos gerar um valor alto. O empreendedor inicia um processo e, se tudo for bem-feito, teremos um impacto maior, e isso é Economia Azul. A revelação é que vamos inovar em um modelo de negócios. A proposta à FIEC é que precisamos ver juntos esse portfólio de oportunidades, mas com novos modelos de negócio, que têm mais impacto, melhores resultados e de forma mais rápida”, completou.
Intervenção artística
Os participantes do Ocean Summit 2026 também puderam ver uma intervenção artística feita pela arquiteta e artista visual cearense Joana Cardoso especialmente para o evento. A obra utiliza resíduos para recriar um cenário oceânico, com peixes feitos de sobras de caixas de papelão e sacolas plásticas e águas representadas em telas de LED.






















