Celebrado como a maior festa popular do país, o Carnaval não surgiu no Brasil, mas foi aqui que ganhou identidade própria e projeção internacional. Suas origens remontam a antigas celebrações da Antiguidade, muito antes de se tornar o espetáculo cultural conhecido hoje.
Historiadores associam o Carnaval a festas realizadas na Europa em períodos anteriores ao cristianismo, como as comemorações dedicadas a Dionísio, na Grécia, e as Saturnais romanas em honra a Saturno. Essas festividades eram marcadas por música, dança, uso de máscaras e, principalmente, pela inversão simbólica de papéis sociais, elementos que ainda hoje aparecem na lógica carnavalesca.
Com o avanço do cristianismo na Europa, a celebração passou a integrar o calendário religioso. O termo “Carnaval” é frequentemente associado à expressão em latim carne vale, interpretada como “adeus à carne”, numa referência ao período que antecede a Quaresma, os 40 dias de preparação para a Páscoa no calendário cristão. Assim, a festa consolidou-se como um momento de celebração antes do tempo de jejum e recolhimento.
A chegada ao Brasil
O Carnaval foi trazido ao Brasil pelos colonizadores portugueses, principalmente por meio do Entrudo, brincadeira popular que consistia em lançar água, farinha ou outros líquidos entre os participantes. A prática era comum em Portugal nos séculos XVII e XVIII e se espalhou pelas cidades brasileiras durante o período colonial.
Ao longo do século XIX, o Entrudo começou a ser substituído por formas mais organizadas de celebração, influenciadas por modelos europeus, como bailes de máscaras e desfiles inspirados no Carnaval francês. No Rio de Janeiro, então capital do Império, surgiram as primeiras sociedades carnavalescas e cortejos de rua estruturados.
Com o tempo, elementos da cultura afro-brasileira passaram a desempenhar papel central na construção do Carnaval nacional. Ritmos, danças e manifestações populares contribuíram para a formação das escolas de samba, que se consolidaram no século XX. O desfile oficial no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, inaugurado em 1984, tornou-se um dos principais símbolos da festa.
Diversidade regional e identidade cultural
Embora o modelo das escolas de samba do Rio de Janeiro seja internacionalmente conhecido, o Carnaval brasileiro é marcado por grande diversidade regional. Em Salvador, por exemplo, os trios elétricos, criados na década de 1950, transformaram a dinâmica da festa ao levar a música para as ruas sobre caminhões adaptados. Já em cidades do Nordeste, maracatus, afoxés e blocos tradicionais mantêm viva a herança cultural afro-brasileira.
Em Pernambuco, o frevo e o maracatu são protagonistas; em São Paulo, os desfiles das escolas de samba cresceram e ganharam estrutura semelhante à do Rio; em diversas cidades do interior, os blocos de rua seguem como expressão espontânea da cultura popular.
Curiosidades da festa
O Carnaval brasileiro movimenta milhões de pessoas todos os anos e tem forte impacto econômico, impulsionando setores como turismo, hotelaria, alimentação, moda e economia criativa. A festa também se consolidou como espaço de expressão artística, crítica social e valorização da diversidade cultural.
Outro aspecto marcante é o uso de fantasias e máscaras, tradição herdada dos bailes europeus e que simboliza liberdade e transformação. Marchinhas tradicionais, sambas-enredo e, mais recentemente, ritmos como axé e funk ampliaram o repertório musical da folia ao longo das décadas.
Da Antiguidade europeia às ruas brasileiras, o Carnaval atravessou séculos, fronteiras e transformações sociais até se tornar um dos principais símbolos culturais do Brasil. A celebração reúne história, tradição e identidade coletiva.

















