Mesmo com a implementação gradual prevista para os próximos anos, a Reforma Tributária já demanda atenção imediata das empresas brasileiras. A avaliação é de Ananias, especialista da Secran, que alerta para a necessidade de adaptação antecipada aos novos tributos, especialmente ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Segundo ele, embora 2026 seja considerado um ano de transição e testes, o período não deve ser encarado como irrelevante. “As alíquotas do IBS (0,1%) e da CBS (0,9%) funcionarão apenas de forma experimental e não gerarão recolhimento efetivo, mas já exigem adequações importantes nos sistemas das empresas”, explica.
Entre os principais pontos de atenção está a adaptação dos sistemas fiscais e operacionais, especialmente para garantir a emissão correta das notas fiscais eletrônicas e a classificação tributária adequada de produtos e serviços. Esse processo é essencial para evitar erros futuros, quando os tributos passarem a ter impacto financeiro real.
Outro aspecto destacado por Ananias é a importância dos estudos de impacto tributário, que devem começar o quanto antes. Mesmo sem cobrança efetiva em 2026, as empresas precisam simular cenários e entender como o novo modelo afetará suas operações. Isso inclui, por exemplo, a revisão de estratégias atuais de geração de créditos tributários, como a terceirização de serviços, e a análise sobre a permanência no Simples Nacional.
“O Simples poderá continuar no formato atual ou funcionar de forma híbrida, com o IBS e a CBS recolhidos fora do DAS, permitindo o aproveitamento de créditos, mas com tributação pela alíquota cheia. Essa decisão precisa ser muito bem estudada”, pontua.
A urgência aumenta a partir de 2027, quando ocorre a extinção do PIS e da Cofins e a entrada em vigor da CBS, com alíquota estimada em 9,29%. Já entre 2028 e 2029, o IBS começa a ser implementado gradualmente, substituindo o ICMS e o ISS, processo que se estende até 2033.
Para o especialista da Secran, a antecipação é fundamental não apenas para cumprir a legislação, mas para preservar a saúde financeira das empresas. “Quem se prepara agora consegue ajustar fluxo de caixa, estratégias fiscais e operacionais com mais segurança, evitando impactos abruptos no futuro”, conclui.







