Na prática clínica, vemos que o sofrimento psíquico raramente surge de forma abrupta. Ele se constrói no silêncio, na normalização do excesso, na dificuldade de nomear o que dói.
A importância da campanha Janeiro Branco existe em abrir espaço para esse olhar preventivo. Para lembrar que saúde mental não se cuida apenas quando o sintoma se torna insuportável, mas quando começamos a observar sinais sutis: alterações de sono, irritabilidade constante, esgotamento emocional, sensação de vazio ou perda de sentido.
Clinicamente, cuidar da saúde mental envolve psicoeducação, escuta qualificada e construção de recursos internos. Envolve compreender padrões emocionais, formas de vínculo, mecanismos de defesa e estratégias de regulação emocional que sustentam ou fragilizam o funcionamento psíquico.
Janeiro não é um mês de soluções rápidas. É um marco simbólico que favorece o início de processos terapêuticos, a adesão ao cuidado psicológico e a redução do estigma em torno da busca por ajuda profissional.
Que o Janeiro Branco reforce algo essencial na clínica: cuidar da mente é um compromisso contínuo com a própria saúde, não um ato de fraqueza, mas de responsabilidade emocional.
Por Dra. Karla Rolim







